Preenchimento de olheiras na mulher: quando ajuda e quando não é a indicação
Corretivo esconde cor, mas não apaga sombra, e por isso muita olheira continua aparecendo depois da maquiagem. Aqui está como diferenciar os tipos, o que hormônios e produtos usados nos olhos têm a ver com ela, quando o preenchimento com ácido hialurônico ajuda, quando não é a indicação e quando procurar avaliação.
Base, corretivo, iluminador. Camada sobre camada, e no meio da tarde a olheira está de volta, mais marcada na luz do escritório do que no espelho de casa. Em algumas fotos, o olhar parece cansado mesmo depois de uma noite inteira de sono.
Nem toda olheira é mancha. Parte delas é sombra, causada por um sulco entre a pálpebra e a bochecha, e maquiagem não preenche relevo. E é uma queixa que leva muitas mulheres à consulta: uma revisão publicada em 2016 cita um estudo indiano com 200 pessoas atendidas por olheira, e 81% delas eram mulheres.
Quais são os tipos de olheira?
São quatro, e com frequência aparecem juntos:
- Cor. É o excesso de pigmento na pele da pálpebra, de família ou deixado por alergia, dermatite e pelo hábito de esfregar os olhos.
- Vasos. A pele embaixo dos olhos é fina, e os vasos e o músculo aparecem por transparência, num tom arroxeado.
- Sombra. É o vale da lágrima, um sulco entre a pálpebra e a bochecha que escurece o olhar mesmo sem mancha na pele.
- Bolsa. A gordura que fica atrás da pálpebra se projeta para a frente e cria um degrau, com sombra logo abaixo.
Num estudo com brasileiros publicado em 2015 nos Anais Brasileiros de Dermatologia, o fator que mais pesou foi a história da família, e a olheira apareceu, em média, por volta dos 24 anos. O pigmento foi o que mais acompanhou a intensidade.
O tipo decide o tratamento. Clareador age na cor, e o preenchimento age na sombra. Um não substitui o outro.
Por que o corretivo não esconde a olheira?
Porque corretivo esconde cor, e parte das olheiras é sombra.
Num sulco, a luz que vem de cima não chega ao fundo. A sombra aparece por cima de qualquer base, e por isso costuma ficar mais marcada em luz de teto, de elevador ou de escritório do que na luz de frente de um espelho de banheiro.
Na olheira de cor, a maquiagem costuma funcionar melhor, porque o problema é o tom da pele, e não o relevo. Quando o corretivo resolve de frente e falha de lado ou sob luz de cima, a sombra é forte suspeita.
Hormônio, menstruação e gestação mudam a olheira?
Podem mudar, sobretudo a cor.
Um trabalho brasileiro publicado em 2012 descreve o escurecimento de família, sem outra causa, como mais comum em mulheres adultas de cabelos escuros, e inclui estrógeno, progesterona e gestação entre as causas de olheira ligadas a hormônios.
A olheira de vasos também oscila. Segundo uma revisão de 2016, o tom arroxeado pode ficar mais visível perto da menstruação.
Com os anos, o peso passa para a estrutura. O mesmo trabalho de 2012 aponta as bolsas como a causa mais comum da olheira ligada à idade.
Colírio e produto para cílios podem escurecer a olheira?
Podem, quando têm análogos de prostaglandina na fórmula.
Esses análogos estão em colírios para glaucoma, como a latanoprosta e a bimatoprosta, e escurecem a pele da pálpebra em parte de quem usa. Segundo a revisão de 2016, o escurecimento com a bimatoprosta aparece com mais frequência entre 3 e 6 meses depois do início.
A bimatoprosta a 0,03% também é usada para o crescimento dos cílios. Na bula americana desse uso, o escurecimento da pele aparece em cerca de 3 a 4% das pessoas e, na maioria, regride depois que o produto é suspenso.
Outros hábitos da rotina dos olhos também pesam. Demaquilar esfregando, coçar e ter alergia a algum produto da região deixam a pele mais escura com o tempo.
Quem usa colírio para glaucoma não deve suspender por conta própria. Essa decisão é do oftalmologista.
Quando o preenchimento de olheiras ajuda?
Quando a olheira é de sombra, causada pelo sulco do vale da lágrima.
O ácido hialurônico é um gel de uma substância que já existe na pele. Aplicado no fundo do sulco, ele repõe volume, diminui o degrau e, com isso, a sombra que a maquiagem não alcança.
Uma revisão de 2021, que reuniu 9 estudos e 830 pacientes tratados no vale da lágrima, encontrou satisfação alta, efeito mantido em geral de 6 a 12 meses e complicações quase sempre leves e passageiras, como inchaço e roxo. Nenhum efeito grave foi relatado nos estudos incluídos, embora os próprios autores apontem limitações nesses trabalhos.
A candidata mais adequada tem a pele com boa espessura e o sulco bem definido. A aplicação costuma ser profunda e em pequena quantidade, porque produto superficial ou em excesso é o que mais causa tom azulado e irregularidade.
Quando o preenchimento não é a indicação?
Quando a olheira é principalmente de cor, de vasos ou de bolsa.
- Na olheira de cor, o preenchimento não clareia a pele e pode até deixar o aspecto pior, porque eleva a região sem mudar o tom, como descreveu um trabalho brasileiro de 2011. O caminho passa por cremes clareadores, proteção solar e peelings superficiais.
- Na olheira de vasos, a resposta a qualquer tratamento costuma ser menor, e o plano começa pelo que piora o quadro, como alergia e o hábito de coçar os olhos.
- Na bolsa de gordura, o preenchimento não reduz o volume que se projeta para a frente. Quando a bolsa é o principal, a correção costuma ser cirúrgica, na pálpebra inferior.
Pele muito flácida e tendência a reter líquido também pesam. Segundo a revisão de 2021, essas pessoas tendem a inchar mais depois da aplicação.
Como é a aplicação e a recuperação?
A aplicação é feita em consultório, com anestésico em creme, por agulha fina ou cânula, em geral em uma sessão.
Nos dias seguintes, pode haver inchaço e roxo. Segundo um trabalho brasileiro de 2012, o roxo dura em média de 7 a 10 dias, e o inchaço da maçã do rosto pode levar até 3 semanas para assentar em parte dos casos. Com casamento, viagem ou fotos marcados, vale fazer a aplicação com algumas semanas de folga.
O ácido hialurônico pode ser dissolvido com uma enzima, a hialuronidase, quando sobra produto ou o contorno fica irregular. Sem isso, ele é reabsorvido aos poucos pelo corpo.
A complicação grave mais temida, a obstrução de um vaso pelo produto, é rara. É por causa dela que o conhecimento da anatomia da região é o centro da técnica.
Quando procurar avaliação?
Vale agendar uma consulta quando aparece uma destas situações:
- O corretivo não esconde a olheira, ou ela volta a aparecer no meio do dia.
- Você ouve que está com cara de cansada, mesmo dormindo bem.
- Há um sulco ou uma sombra embaixo dos olhos que ficou mais marcado com os anos.
- A pálpebra escureceu depois de começar um colírio ou um produto para cílios.
- Cremes para olheira não fizeram diferença depois de alguns meses de uso.
Inchaço que surge de repente em um olho só, com dor, vermelhidão ou mudança na visão, não é olheira. Essa situação pede atendimento médico no mesmo dia.
A avaliação das olheiras é feita pela médica Dra. Helena Ciacci, CRM MG 93658, nos consultórios de Varginha e Campo Belo. O exame clínico, com dermatoscopia, separa o que é cor, vaso, sombra e bolsa, e mostra qual delas pesa mais.
A partir daí, o plano pode combinar cuidados em casa com clareadores, peelings superficiais e, quando a olheira é de sombra, preenchimento com ácido hialurônico, feito em consultório. Nem toda olheira precisa de procedimento. Em parte dos casos, o plano fica nos cuidados em casa: creme clareador, proteção solar, controle da alergia e mudança de hábitos que escurecem a região, como coçar e esfregar os olhos. Quando a bolsa de gordura é o principal, a cirurgia da pálpebra inferior é encaminhada. O que cada etapa faz e os cuidados depois são explicados antes de começar.
Vale levar para a consulta os produtos usados ao redor dos olhos, como colírios, produtos para cílios, cremes e demaquilantes. Eles ajudam a entender o que pode estar escurecendo a pele.
Dúvidas comuns.
Costuma ser bem tolerado, como descreveu um relato brasileiro de 2011 com a aplicação profunda. Ela é feita com anestésico em creme e, em geral, em uma sessão.
Em geral, de 6 a 12 meses, segundo uma revisão de 2021 com 830 pacientes. O ácido hialurônico é reabsorvido aos poucos pelo corpo, e em parte das pessoas o efeito dura mais.
Pode ficar. Quando aparece, o roxo dura em média de 7 a 10 dias, e o inchaço pode levar algumas semanas para assentar. Por isso vale marcar a aplicação com folga antes de compromissos importantes.
Sim. O ácido hialurônico pode ser dissolvido com uma enzima, a hialuronidase, quando sobra produto ou o contorno fica irregular. Sem isso, ele também é reabsorvido aos poucos com o tempo.
Não. A mancha escura é pigmento, e o preenchimento não clareia a pele. Na olheira de cor, entram clareadores, proteção solar e peelings superficiais, e o preenchimento fica para a sombra do sulco.
Em parte. Noites mal dormidas podem deixar a olheira mais escura, mas, num estudo com brasileiros publicado em 2015, a olheira persistente teve mais relação com a história da família do que com as horas de sono.
Este artigo tem caráter informativo e não substitui uma consulta de avaliação dermatológica. A indicação de procedimentos é individual, o uso de colírio para glaucoma é decidido pelo oftalmologista, e a cirurgia da pálpebra inferior depende da avaliação do cirurgião.
Fontes de referência: Sarkar R e colaboradores, Periorbital hyperpigmentation: a comprehensive review, Journal of Clinical and Aesthetic Dermatology, 2016. Cymbalista NC e colaboradores, Classificação etiopatogênica de olheiras e preenchimento com ácido hialurônico: descrição de uma nova técnica utilizando cânula, Surgical & Cosmetic Dermatology, 2012. Matsui MS e colaboradores, Physiological and lifestyle factors contributing to risk and severity of peri-orbital dark circles in the Brazilian population, Anais Brasileiros de Dermatologia, 2015. Ravelli FN e colaboradores, Preenchimento profundo do sulco lacrimal com ácido hialurônico, Surgical & Cosmetic Dermatology, 2011. D'Amato S e colaboradores, Is the treatment of the tear trough deformity with hyaluronic acid injections a safe procedure? A systematic review, Applied Sciences, 2021. Food and Drug Administration, bula da solução oftálmica de bimatoprosta 0,03% para hipotricose de cílios, Estados Unidos. American Academy of Ophthalmology, Tear trough deformity, EyeWiki.
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Dra. Helena Ciacci · Dermatologia · Varginha e Campo Belo · CRM MG 93658
