Olheiras no homem: por que dão cara de cansado e o que ajuda
Em muitos homens, a olheira continua ali mesmo depois de uma boa noite de sono, porque vem da estrutura do rosto e da herança da família. Aqui está por que ela passa a impressão de cansaço, quais são os tipos, quando o preenchimento ajuda, quando a indicação é outra e quando procurar avaliação.
Dormiu mal? A pergunta aparece no trabalho, na chamada de vídeo, no almoço de família. E a resposta é não. O sono está em dia, mas o espelho mostra um olhar fundo e escuro, de quem passou a noite acordado.
Muitas vezes, a olheira que não vai embora não vem da falta de sono. Num estudo com brasileiros publicado em 2015 nos Anais Brasileiros de Dermatologia, o fator que mais pesou foi a história da família, e as horas de sono não acompanharam a intensidade da olheira. Quem olha, porém, lê olheira como cansaço.
Por que a olheira dá cara de cansado?
Porque ela é um dos sinais que as pessoas usam para julgar o sono e a disposição de alguém pelo rosto. Numa pesquisa sueca publicada em 2013, 40 pessoas avaliaram fotos de 10 voluntários, tiradas depois de uma noite normal e depois de 31 horas sem dormir.
Nas fotos sem sono, os avaliadores apontaram olheiras mais escuras, pálpebras mais caídas e olhos mais inchados. E acharam esses rostos mais cansados e também mais tristes.
Num segundo estudo do mesmo grupo, de 2017, 122 pessoas avaliaram o rosto de 25 voluntários depois de dois dias dormindo pouco. Acharam esses rostos menos saudáveis e menos atraentes, e disseram ter menos vontade de conviver com eles. A confiança atribuída a essas pessoas não mudou.
A diferença está no que vem depois. A olheira de uma noite mal dormida tende a melhorar com o descanso. Quando ela vem da anatomia ou da herança, fica, e o rosto passa a mandar o sinal de cansaço o dia inteiro.
Por que a olheira aparece no homem?
Por quatro caminhos, que podem aparecer sozinhos ou juntos:
- Cor. É o excesso de pigmento na pele da pálpebra, muitas vezes de família, ou que fica depois de alergia, dermatite e do hábito de coçar os olhos.
- Vasos. A pele embaixo dos olhos é fina, e os vasos e o músculo aparecem por transparência, num tom arroxeado.
- Sombra. É o vale da lágrima, um sulco entre a pálpebra e a bochecha que escurece o olhar mesmo sem mancha na pele.
- Bolsa. A gordura que fica atrás da pálpebra se projeta para a frente e cria um degrau, com sombra logo abaixo.
No homem, a idade pesa de um jeito próprio. Uma revisão sobre o envelhecimento do rosto masculino, publicada em 2017, descreve perda de volume mais marcada ao redor dos olhos e flacidez maior da pálpebra inferior. Por isso, com os anos, o sulco e a bolsa tendem a ficar mais visíveis.
Alergia nasal e o hábito de esfregar os olhos também escurecem a região. Sono curto, álcool e cigarro aparecem com frequência como fatores de piora, mas uma revisão de 2016 lembra que essa relação ainda não tem comprovação clínica firme.
Como saber qual é o tipo da minha olheira?
Pelo exame. O exame clínico, com luz adequada e dermatoscopia, separa o que é cor, vaso, sombra e bolsa, e mostra qual delas pesa mais.
Essa separação decide o tratamento. Um trabalho brasileiro de 2011 descreve que o preenchimento pode piorar o aspecto quando a causa principal é o pigmento, porque eleva a pele sem mudar a cor.
A história também ajuda. No estudo brasileiro de 2015, a olheira apareceu, em média, por volta dos 24 anos, e quem notou a olheira mais cedo tendia a ter um quadro mais intenso. Pai, mãe ou irmãos com a mesma olheira apontam para a herança.
Preenchimento de olheira funciona no homem?
Funciona quando a olheira é de sombra, causada pelo sulco do vale da lágrima.
O ácido hialurônico é um gel de uma substância que já existe na pele. Aplicado no fundo do sulco, ele repõe volume, diminui o degrau e, com isso, a sombra. O olhar fica menos fundo.
Uma revisão de 2021, que reuniu 9 estudos e 830 pacientes tratados no vale da lágrima, encontrou satisfação alta, efeito mantido em geral de 6 a 12 meses e complicações quase sempre leves e passageiras, como inchaço e roxo. Nenhum efeito grave foi relatado nos estudos incluídos, embora os próprios autores apontem limitações nesses trabalhos.
O candidato mais adequado tem a pele com boa espessura e o sulco bem definido. No rosto masculino, o plano busca suavizar a sombra com pouca quantidade de produto, sem mudar o desenho do olhar.
Quando o preenchimento não é a indicação?
Quando a olheira é de cor, de vasos ou de bolsa. Nesses casos, outro caminho entra no lugar ou vem antes:
- Na olheira de cor, o tratamento passa por cremes clareadores, proteção solar e peelings superficiais. O preenchimento não clareia a pele.
- Na olheira de vasos, a resposta a qualquer tratamento costuma ser menor, e o plano começa pelo que piora o quadro, como alergia e o hábito de coçar os olhos.
- Na bolsa de gordura, o preenchimento não reduz o volume que se projeta para a frente. Quando a bolsa é o principal, a correção costuma ser cirúrgica, na pálpebra inferior.
Muitas vezes os tipos aparecem juntos, e o plano combina mais de uma frente. Por isso a avaliação olha o olho inteiro, inclusive a pálpebra de cima, e não só a olheira.
O preenchimento vai deixar meu rosto artificial?
Não precisa deixar, e a quantidade é o que mais pesa.
Os problemas de aparência mais descritos vêm de produto colocado superficial ou em excesso: um tom azulado sob a pele, chamado efeito Tyndall, e irregularidades no contorno. Por isso a revisão de 2021 recomenda aplicação profunda e em pequena quantidade.
O ácido hialurônico também pode ser dissolvido com uma enzima, a hialuronidase, quando sobra produto ou o contorno fica irregular.
Vale ter claro o que muda: a sombra diminui e o olhar fica menos fundo. Bolsa, ruga e pele flácida não são tratadas pelo preenchimento.
Como é a aplicação e o que esperar nos dias seguintes?
A aplicação é feita em consultório, com anestésico em creme, por agulha fina ou cânula, em geral em uma sessão.
Nos dias seguintes, pode haver inchaço e roxo. Segundo um trabalho brasileiro de 2012, o roxo dura em média de 7 a 10 dias, e o inchaço da maçã do rosto pode levar até 3 semanas para assentar em parte dos casos. Quem tem a pele mais flácida ou retém líquido com facilidade tende a inchar mais.
A complicação grave mais temida, a obstrução de um vaso pelo produto, é rara. É por causa dela que o conhecimento da anatomia da região é o centro da técnica.
Com compromisso importante marcado, como uma viagem, uma apresentação ou uma foto, vale fazer a aplicação com algumas semanas de folga.
Quando procurar avaliação?
Vale agendar uma consulta quando aparece uma destas situações:
- Você ouve com frequência que está com cara de cansado, mesmo dormindo bem.
- A olheira está ali desde a juventude, e outras pessoas da família têm a mesma.
- Há um sulco ou uma sombra embaixo dos olhos que o descanso não muda.
- O creme para olheira não fez diferença depois de alguns meses de uso.
- A bolsa embaixo dos olhos aumentou com os anos e incomoda nas fotos.
Inchaço que surge de repente em um olho só, com dor, vermelhidão ou mudança na visão, não é olheira. Essa situação pede atendimento médico no mesmo dia.
A avaliação das olheiras é feita pela médica Dra. Helena Ciacci, CRM MG 93658, nos consultórios de Varginha e Campo Belo. O exame clínico, com dermatoscopia, separa o que é cor, vaso, sombra e bolsa, e olha também a pálpebra de cima e a pele ao redor dos olhos.
A partir daí, o plano pode combinar cuidados em casa com clareadores, peelings superficiais e, quando a olheira é de sombra, preenchimento com ácido hialurônico, feito em consultório. Nem toda olheira precisa de procedimento. Em parte dos casos, o plano fica nos cuidados em casa: creme clareador, proteção solar, controle da alergia e mudança de hábitos que escurecem a região, como coçar e esfregar os olhos. Quando a bolsa de gordura é o principal, a cirurgia da pálpebra inferior é encaminhada. O que cada etapa faz e os cuidados depois são explicados antes de começar.
Quem tem receio de ficar com aparência de procedimento pode dizer isso logo no início. A conversa inclui o que o tratamento muda, o que ele não muda e a opção de não fazer nada injetável.
Dúvidas comuns.
Sim. A indicação depende do tipo de olheira, e não do sexo. Quando a olheira é de sombra, causada pelo sulco do vale da lágrima, o ácido hialurônico pode suavizar o degrau que escurece o olhar.
Nem sempre. A falta de sono pode deixar a olheira mais escura, mas, num estudo com brasileiros publicado em 2015, a olheira persistente teve mais relação com a história da família do que com as horas de sono.
Ajuda mais na olheira de cor. Clareadores e proteção solar agem no pigmento, mas não preenchem o sulco que faz sombra, e por isso mudam pouco a olheira de estrutura.
Não. A bolsa é gordura que se projeta para a frente, e o preenchimento não reduz esse volume. Quando ela é o principal, a correção costuma ser cirúrgica, na pálpebra inferior.
Em geral, de 6 a 12 meses, segundo uma revisão de 2021 com 830 pacientes. O ácido hialurônico é reabsorvido aos poucos pelo corpo, e em parte das pessoas o efeito dura mais.
Sim. O ácido hialurônico pode ser dissolvido com uma enzima, a hialuronidase, quando sobra produto ou o contorno fica irregular. Sem isso, ele também é reabsorvido aos poucos com o tempo.
Este artigo tem caráter informativo e não substitui uma consulta de avaliação dermatológica. A indicação de procedimentos é individual, e a cirurgia da pálpebra inferior depende da avaliação do cirurgião.
Fontes de referência: Matsui MS e colaboradores, Physiological and lifestyle factors contributing to risk and severity of peri-orbital dark circles in the Brazilian population, Anais Brasileiros de Dermatologia, 2015. Sundelin T e colaboradores, Cues of fatigue: effects of sleep deprivation on facial appearance, Sleep, 2013. Sundelin T e colaboradores, Negative effects of restricted sleep on facial appearance and social appeal, Royal Society Open Science, 2017. Keaney TC, Man-some: a review of male facial aging and beauty, Journal of Drugs in Dermatology, 2017. Cymbalista NC e colaboradores, Classificação etiopatogênica de olheiras e preenchimento com ácido hialurônico: descrição de uma nova técnica utilizando cânula, Surgical & Cosmetic Dermatology, 2012. Ravelli FN e colaboradores, Preenchimento profundo do sulco lacrimal com ácido hialurônico, Surgical & Cosmetic Dermatology, 2011. D'Amato S e colaboradores, Is the treatment of the tear trough deformity with hyaluronic acid injections a safe procedure? A systematic review, Applied Sciences, 2021. Sarkar R e colaboradores, Periorbital hyperpigmentation: a comprehensive review, Journal of Clinical and Aesthetic Dermatology, 2016. American Academy of Ophthalmology, Tear trough deformity, EyeWiki.
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Dra. Helena Ciacci · Dermatologia · Varginha e Campo Belo · CRM MG 93658
