Cirurgia dermatológica · Artigo

Pálpebra caída e olhar cansado: quando é excesso de pele

A pele da pálpebra superior é a mais fina do corpo e costuma ser a primeira a sobrar.

Mulher em ambiente com luz natural, região dos olhos e das pálpebras em foco

Tem gente que ouve a vida inteira que está com cara de cansada mesmo depois de dormir bem. Olha a foto antiga e percebe que o olho aparecia mais. Repara que a sombra some na dobra da pálpebra e que o cílio quase não dá para ver.

Na maior parte dessas situações o que mudou não foi o olho, foi a pele que ficou acima dele. E existem causas diferentes para o mesmo incômodo, com condutas diferentes. Antes de falar de cirurgia, vale entender qual delas está em jogo.

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Por que a pálpebra fica pesada

A pele da pálpebra superior tem menos de um milímetro de espessura e trabalha o dia inteiro. São milhares de aberturas e fechamentos por dia, somados à perda gradual de elasticidade. Com o tempo essa pele passa a sobrar e se apoia sobre a linha do cílio.

Em algumas pessoas isso aparece cedo, por característica de família, ainda na casa dos trinta. Em outras vem mais tarde, junto com a descida natural da cauda da sobrancelha. O efeito visual é parecido nos dois casos: o olho parece menor, a maquiagem borra na dobra e a expressão passa a ser lida como cansaço.

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Excesso de pele, bolsa e ptose não são a mesma coisa

Essa distinção é o que define a conduta, e é o motivo pelo qual duas pessoas com a mesma queixa saem da consulta com orientações diferentes.

  • Dermatocálase: é a sobra de pele propriamente dita. A pálpebra abre normalmente, mas a pele que está por cima cobre parte dela.
  • Bolsa de gordura: um abaulamento, mais comum junto ao canto interno do olho, causado pela gordura que se projeta. Pele sobrando e bolsa podem existir juntas ou separadas.
  • Ptose palpebral: aqui a pálpebra em si está mais baixa, porque o músculo que a levanta perdeu força. O tratamento é outro e a avaliação pode envolver outra especialidade.
  • Queda da cauda da sobrancelha: às vezes o que pesa não é a pálpebra, é a sobrancelha que desceu e empurrou a pele para baixo. Operar a pálpebra sem enxergar isso muda pouco.

Por isso o exame presencial vem antes de qualquer decisão. É ele que separa esses quadros, que quase sempre se misturam em proporções diferentes.

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Quando o incômodo passa do espelho

Há um ponto em que a sobra de pele deixa de ser só uma questão de aparência. Quando a pele avança sobre o campo visual superior, a pessoa começa a compensar sem perceber: levanta a testa o tempo todo para enxergar melhor, franze a região entre as sobrancelhas e termina o dia com a testa tensa.

Nesses casos a queixa costuma vir junto com cílios encobertos, dificuldade para usar óculos com conforto e sensação de peso no fim da tarde. É um dado clínico relevante e precisa ser registrado na avaliação.

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Como é feita a blefaroplastia superior

É uma cirurgia de pele, feita em consultório, com anestesia local. A marcação é a etapa mais importante e acontece antes de qualquer corte, com a pessoa sentada e de olhos abertos, porque é assim que se define exatamente a faixa de pele que sobra e o quanto precisa permanecer.

A incisão acompanha o sulco natural da pálpebra. Retira-se a faixa de pele planejada, e a marcação define exatamente onde a incisão fica escondida. A sutura é feita com fio fino e a pessoa vai para casa no mesmo dia. O procedimento leva em torno de uma hora, variando conforme o caso.

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Cicatriz e pós-operatório

A cicatriz fica dentro do sulco da pálpebra, que é a dobra natural que aparece quando o olho abre. Com a pálpebra aberta ela tende a ficar pouco aparente, e o processo de cicatrização varia de pessoa para pessoa.

Inchaço e coloração arroxeada nos primeiros dias fazem parte do curso normal do pós-operatório. Os pontos costumam ser retirados entre o quinto e o sétimo dia. As orientações de compressa, esforço físico, exposição solar e retorno da maquiagem são passadas por escrito e o acompanhamento da cicatrização faz parte do tratamento.

Na consulta

A avaliação começa antes da pálpebra. Observa-se a posição da sobrancelha, a força do músculo que levanta o olho, a abertura ocular de cada lado e a simetria entre eles, porque quase ninguém tem os dois lados iguais.

Também entram no exame o histórico de olho seco, alterações de tireoide, uso de medicações que interferem no sangramento e cirurgias anteriores na região. É a partir desse conjunto que se define se o caso é cirúrgico, qual componente tratar e qual o momento adequado.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns.

Área de dermatologia faz blefaroplastia?

A blefaroplastia superior é uma cirurgia de pele e está dentro do escopo da cirurgia dermatológica. A avaliação presencial define se o caso é cirúrgico e qual a conduta indicada.

A cirurgia dói?

O procedimento é feito com anestesia local, então a região fica dormente durante a cirurgia. Depois é comum haver desconforto leve na área, controlado com as orientações passadas na consulta.

Dá para resolver a pálpebra pesada sem cirurgia?

Depende do que está causando o peso. Quando o componente principal é a pele que sobra, nenhum creme ou aparelho retira essa pele. Quando há outros componentes envolvidos, como a posição da sobrancelha, existem condutas diferentes, definidas na avaliação.

Preciso operar os dois olhos?

Não necessariamente, mas a assimetria entre os lados é avaliada antes, porque ela influencia o planejamento. Essa decisão é individual e discutida na consulta.

Este conteúdo é informativo. A indicação e o protocolo de cada tratamento são definidos individualmente após avaliação dermatológica presencial.

Sociedade Brasileira de Dermatologia e Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica.

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Dra. Helena Ciacci · Dermatologia · Varginha e Campo Belo · CRM MG 93658