Cirurgia dermatológica · Artigo

Unha encravada que volta sempre: por que ela reincide

Cortar o canto em V, cavar a lateral e colocar algodão são as três coisas que mais atrasam o tratamento.

Mulher sentada retirando o sapato em ambiente com luz natural

É uma dor pequena que ocupa o dia inteiro. Incomoda dentro do sapato, lateja à noite, melhora quando a pessoa consegue tirar aquele pedacinho, e volta algumas semanas depois no mesmo canto do mesmo dedo.

Quando isso se repete por meses ou anos, o problema deixou de ser o corte e passou a ser a origem da unha. É essa diferença que define se o caso se resolve com manejo ou se pede uma conduta cirúrgica.

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O que acontece quando a unha encrava

A borda da lâmina da unha passa a pressionar a dobra de pele ao lado do dedo. A pele reage a essa pressão constante como reage a qualquer corpo estranho, com inflamação, dor ao toque e inchaço na lateral.

Se a pressão continua, aparece um tecido avermelhado e brilhante na borda, que sangra com facilidade e é conhecido popularmente como carne esponjosa. Ele não é a causa do problema, é a resposta do corpo a ele. Por isso tratar só esse tecido, sem tratar a pressão que o gerou, costuma render alívio curto.

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Por que ela volta sempre no mesmo canto

A unha nasce de uma estrutura chamada matriz, escondida embaixo da pele na base do dedo. É a matriz que define a largura, a espessura e a curvatura da lâmina que vai crescer. Quando a unha é curva demais ou larga demais para o leito onde precisa caber, cada nova lâmina que nasce repete exatamente o mesmo formato.

É esse o motivo pelo qual retirar a unha inteira não interrompe o ciclo. A unha volta a crescer com o mesmo desenho, encontra a mesma dobra de pele e encrava de novo. O corte, o calçado apertado e a transpiração aceleram o processo, mas raramente são a causa isolada quando o quadro se repete há anos.

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O que costuma atrasar o tratamento

  • Cortar o canto da unha em V, na crença de que a unha cresce puxada para o centro. A unha cresce apenas para a frente, então o V não muda o rumo de nada e ainda deixa uma ponta afiada embaixo da pele.
  • Cavar a lateral para tirar a espícula. Alivia por alguns dias, mas quase sempre deixa um fragmento para trás, e é ele que perfura a pele de novo.
  • Colocar algodão sob a borda por tempo prolongado. Em fase inflamada, o algodão retém umidade e favorece infecção.
  • Insistir em pomada ou antibiótico quando já existe pus acumulado. O medicamento não substitui a drenagem, que é um procedimento.
  • Deixar arrastar por meses. Quanto mais tempo a dobra fica inflamada, mais tecido de granulação se forma, e mais lento fica o pós-operatório depois.
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Quando a conduta é cirúrgica

Quando o quadro reincide, a proposta deixa de ser retirar a unha e passa a ser retirar apenas a faixa lateral que encrava, aquela tirinha estreita na borda do dedo. Junto com ela trata-se a porção da matriz que dá origem exatamente a essa faixa, para que aquela borda não volte a crescer no mesmo formato.

É feito em consultório, com anestesia local no dedo, e a pessoa vai para casa no mesmo dia. A unha continua existindo e mantém aparência de unha normal, porque o que sai é a borda e não a lâmina inteira. O planejamento define qual lado tratar e se um ou ambos os cantos estão envolvidos.

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Pós-operatório e volta à rotina

O curativo é trocado conforme orientação e o dedo costuma ficar sensível nos primeiros dias. Calçado fechado e apertado, esporte de impacto, piscina e mar entram de volta na rotina em prazos definidos individualmente, porque dependem da extensão do que foi tratado e da cicatrização de cada pessoa.

A borda tratada leva algumas semanas para assumir o contorno definitivo. Esse acompanhamento faz parte do tratamento e é o momento de conferir se a cicatrização está seguindo o curso esperado.

Na consulta

A avaliação começa pelo formato da lâmina e pelo estado da dobra lateral, com atenção a há quanto tempo o quadro se repete e quantas vezes o dedo já foi manipulado. Um dedo com histórico de várias intervenções tem um tecido diferente de um dedo em primeira crise.

Também entram no exame a circulação do pé, o histórico de diabetes, o uso de medicações que interferem no sangramento e o tipo de calçado da rotina de trabalho. É esse conjunto que define se o caso pede manejo conservador, drenagem ou tratamento da matriz.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns.

Vou precisar arrancar a unha inteira?

Na maior parte dos casos não. A conduta indicada costuma envolver apenas a faixa lateral que encrava, preservando o restante da lâmina. A avaliação presencial define a extensão.

O procedimento dói?

É feito com anestesia local no próprio dedo, então a região fica dormente durante o procedimento. Depois é comum haver desconforto na área nos primeiros dias, controlado com as orientações passadas na consulta.

Continuo indo ao podólogo depois?

O trabalho do podólogo ajuda no manejo e no cuidado de rotina. Quando o encravamento reincide apesar desse cuidado, a avaliação médica é o que define se existe um componente na raiz da unha que pede outra conduta.

Tenho diabetes, muda alguma coisa?

Muda a urgência da avaliação. Alterações de circulação e de sensibilidade no pé exigem cuidado redobrado com qualquer lesão nessa região, e a orientação é não deixar o quadro arrastar.

Este conteúdo é informativo. A indicação e o protocolo de cada tratamento são definidos individualmente após avaliação dermatológica presencial.

Sociedade Brasileira de Dermatologia e Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica.

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Dra. Helena Ciacci · Dermatologia · Varginha e Campo Belo · CRM MG 93658