Orelha rasgada ou furo alargado: como é a lobuloplastia
O lóbulo da orelha não tem cartilagem, só pele e gordura, e por isso cede ao peso e à tração. A correção é a lobuloplastia, uma cirurgia pequena feita no consultório. Aqui está quando ela é indicada, como é feita, o que a literatura mostra sobre o resultado e quando dá para voltar a usar brinco.
O brinco que começou a pender para a frente. O furo que virou uma fenda comprida. A orelha que rasgou de vez num puxão, com a criança no colo, na gola da blusa ou no brinco que enroscou no cabelo. E, para quem usou alargador, o lóbulo que ficou aberto depois que a fase passou.
É uma queixa comum e tem correção. As alterações do lóbulo causadas por brinco, alargador ou trauma são muito mais frequentes do que as de nascença, que aparecem em cerca de 1 a cada 1.500 nascimentos, segundo publicação da Surgical & Cosmetic Dermatology, revista da Sociedade Brasileira de Dermatologia. A correção tem nome, lobuloplastia, e é feita no consultório, com anestesia local.
Por que o furo da orelha alarga ou rasga?
Porque o lóbulo não tem cartilagem. É só pele e gordura, sem estrutura para sustentar peso. Anos de brinco pesado alongam o furo aos poucos, e um puxão súbito pode romper a pele de uma vez.
A literatura descreve dois padrões. A fenda parcial costuma aparecer nas duas orelhas e está ligada ao uso prolongado de brincos pesados. A fenda completa, em geral, acontece de um lado só, quando o brinco é puxado de forma brusca.
Outros fatores também pesam:
- Brincos grandes ou pesados usados por anos, inclusive para dormir.
- Furo feito muito perto da borda do lóbulo, com pouca pele para sustentar.
- Uso de alargador, que abre o furo de forma intencional e progressiva.
- O envelhecimento, que deixa o lóbulo mais fino e mais longo.
Furo alongado, rasgo parcial ou completo: qual é o seu caso?
A conduta muda conforme o tipo de defeito:
- Furo alongado: o furo virou um corte vertical, mas a borda de baixo do lóbulo continua inteira. É a fase mais simples de corrigir.
- Rasgo completo: a pele entre o furo e a borda se rompeu, e o lóbulo ficou dividido em duas pontas.
- Lóbulo depois do alargador: o furo ficou largo e redondo, às vezes com o lóbulo alongado e fino em volta. Pede uma técnica de reconstrução própria.
- Queloide ou cicatriz antiga no furo: muda o planejamento, como explicado mais adiante.
Não é preciso esperar rasgar. Corrigir o furo alongado enquanto a borda de baixo está inteira preserva o contorno natural do lóbulo, e isso ajuda a evitar que a fenda volte.
Como é feita a lobuloplastia?
No consultório, com anestesia local. A orelha fica dormente, a pessoa permanece acordada e vai para casa no mesmo dia. Na maioria dos casos, as duas orelhas podem ser corrigidas na mesma sessão.
A pele que reveste o furo ou o rasgo já está cicatrizada e não se une sozinha. Por isso a cirurgia remove essa borda e reconstrói o lóbulo em camadas, com pontos na frente e atrás, desenhando de novo o contorno da orelha.
Existem dezenas de técnicas descritas. Uma revisão publicada no Journal of Drugs in Dermatology reuniu 21 métodos, 4 para o rasgo parcial e 17 para o rasgo completo. A escolha leva em conta o tamanho do lóbulo, a espessura da pele e o tipo de defeito, sempre em busca de um lóbulo arredondado e sem degrau na borda de baixo, que é a parte mais visível da correção.
O que a literatura mostra sobre o resultado?
A lobuloplastia tem resultados consistentes nos estudos. Em uma série de 68 pacientes acompanhados por 4 a 10 anos, publicada nos Annals of Otology, Rhinology & Laryngology, a aparência do lóbulo foi considerada boa em 91% dos casos, e o rasgo voltou em pouco mais de 1%.
A revisão brasileira da Surgical & Cosmetic Dermatology reúne taxas de satisfação entre 92% e 100%. As complicações variam bastante entre os estudos, e as mais citadas são cicatriz mais grossa ou afundada, infecção da ferida e o retorno da fenda.
Esses números descrevem grupos de pacientes. O resultado de cada orelha depende do tipo de defeito, da pele e da cicatrização de cada pessoa.
Quando dá para voltar a usar brinco?
Depois da cicatrização, em um furo novo. Ele é feito em pele íntegra e em posição planejada, para não repetir o problema.
O prazo varia na literatura. Há técnicas em que o novo furo é feito a partir de um mês, e autores que recomendam esperar seis meses de cicatrização. Por isso o momento é definido no retorno, olhando a cicatriz.
Algumas técnicas preservam o furo durante a própria cirurgia. Em geral, as que fecham todo o defeito e refazem o furo depois são consideradas mais seguras contra a volta do rasgo.
Com o furo novo, a orientação de uso leva em conta a espessura do lóbulo: brincos mais leves, tirar para dormir e evitar argola grande em situações de puxão, como pegar criança no colo.
E quem usou alargador?
Tem correção, com técnica própria. O alargador deixa um defeito maior e, muitas vezes, um lóbulo alongado e fino em volta. Não basta fechar o furo, é preciso refazer o formato e, às vezes, reduzir o comprimento do lóbulo.
Na Surgical & Cosmetic Dermatology, dermatologistas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro descreveram uma adaptação da técnica em L para esses casos, feita em consultório com anestesia local. No caso relatado, o lóbulo ficou mais curto e com contorno arredondado.
Quem pensa em voltar a usar alargador no futuro deve contar isso na consulta, porque muda o planejamento.
Quem tem queloide pode fazer?
Pode, com outro plano. O lóbulo da orelha é um dos lugares onde o queloide mais aparece, muitas vezes a partir do próprio furo do brinco. Quem já teve queloide tem mais chance de formar de novo depois de um corte.
Nesses casos, a retirada isolada costuma não bastar. Trabalhos brasileiros descrevem a combinação de cirurgia, infiltração de corticoide e brinco de pressão por alguns meses para reduzir a chance de o queloide voltar.
Por isso o histórico de queloide, seu ou da família, precisa ser contado na consulta, antes de corrigir o lóbulo e antes de fazer um furo novo.
Quando procurar avaliação?
Vale agendar uma consulta quando aparece uma destas situações:
- O brinco não firma mais ou pende para a frente.
- O furo virou um corte vertical, mesmo sem rasgar.
- O lóbulo rasgou, parcial ou totalmente.
- O alargador saiu e o lóbulo ficou aberto ou alongado.
- Surgiu um caroço firme, que coça ou cresce, no furo ou em volta dele.
- Você quer voltar a usar brinco com segurança.
A avaliação do lóbulo é feita pela Dra. Helena Ciacci, CRM MG 93658, nos consultórios de Varginha e Campo Belo. A consulta define o tipo de defeito, a espessura do lóbulo, o histórico de queloide e o plano para o novo furo, quando desejado. A lobuloplastia é feita no próprio consultório, com anestesia local, e o acompanhamento da cicatrização faz parte do tratamento. Cada caso é avaliado de forma individual.
Dúvidas comuns.
A cirurgia é feita com anestesia local, então a região fica dormente durante o procedimento. Depois, é comum haver um desconforto leve na área, controlado com as orientações passadas na consulta.
Não. O furo apenas alongado, ainda sem rasgo, já pode ser corrigido, e nessa fase a cirurgia tende a ser mais simples. Corrigir enquanto a borda de baixo está inteira ajuda a preservar o contorno do lóbulo.
Depois da cicatrização, em um furo novo feito em posição planejada. Na literatura, o prazo varia de um a seis meses, conforme a técnica, e o momento certo é definido no retorno.
Na maioria dos casos, sim. As duas orelhas costumam ser corrigidas na mesma sessão, com anestesia local, e a pessoa vai para casa no mesmo dia.
Em geral, em cerca de uma semana. O prazo exato e os cuidados com o curativo são passados na consulta.
Pode, mas é pouco comum quando o lóbulo é bem reconstruído e o brinco volta com cuidado. Em uma série de 68 pacientes acompanhados por anos, o rasgo voltou em pouco mais de 1% dos casos. Brinco leve e tirar para dormir ajudam a proteger o resultado.
Este artigo tem caráter informativo e não substitui uma consulta de avaliação dermatológica. Cada pessoa apresenta um quadro próprio, que deve ser avaliado de forma individual.
Fontes de referência: Maiolini VM e colaboradores, Nova proposta cirúrgica para reparação de lóbulo de orelha após o uso de alargador, Surgical & Cosmetic Dermatology, 2020. Ribeiro AA e colaboradores, Reparo do lóbulo da orelha partido: revisão da literatura e proposta de nova técnica, Surgical & Cosmetic Dermatology, 2009. Vujevich J, Goldberg LH e Obagi S, Repair of partial and complete earlobe clefts: a review of 21 methods, Journal of Drugs in Dermatology, 2007. Reiter D e Alford EL, Torn earlobe: a new approach to management with a review of 68 cases, Annals of Otology, Rhinology & Laryngology, 1994. A long-term review of Z-plasty technique for repair of split earlobes, European Journal of Plastic Surgery, 2010. Brito JBN e colaboradores, Confecção de brincos de borracha no intraoperatório para otimizar o tratamento cirúrgico de queloides no lóbulo da orelha, Revista da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia, 2021. Universidade Federal de Minas Gerais, dissertação de mestrado sobre o tratamento do queloide do lóbulo da orelha com triancinolona, retirada cirúrgica e compressão.
Sua pele merece uma avaliação médica de verdade.
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Dra. Helena Ciacci · Dermatologia · Varginha e Campo Belo · CRM MG 93658
