Cirurgia dermatológica · Artigo

Orelha rasgada ou furo alargado: como é a lobuloplastia

O lóbulo da orelha não tem cartilagem, só pele e gordura, e por isso cede ao peso e à tração. A correção é a lobuloplastia, uma cirurgia pequena feita no consultório. Aqui está quando ela é indicada, como é feita, o que a literatura mostra sobre o resultado e quando dá para voltar a usar brinco.

Dra. Helena Ciacci · CRM MG 93658 · Dermatologia
Publicado em · atualizado em
Mesa de mármore em consultório dermatológico com bandeja de instrumentos finos e prato com brincos de pérola, tema da lobuloplastia, Dra. Helena Ciacci, dermatologia em Varginha

O brinco que começou a pender para a frente. O furo que virou uma fenda comprida. A orelha que rasgou de vez num puxão, com a criança no colo, na gola da blusa ou no brinco que enroscou no cabelo. E, para quem usou alargador, o lóbulo que ficou aberto depois que a fase passou.

É uma queixa comum e tem correção. As alterações do lóbulo causadas por brinco, alargador ou trauma são muito mais frequentes do que as de nascença, que aparecem em cerca de 1 a cada 1.500 nascimentos, segundo publicação da Surgical & Cosmetic Dermatology, revista da Sociedade Brasileira de Dermatologia. A correção tem nome, lobuloplastia, e é feita no consultório, com anestesia local.

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Por que o furo da orelha alarga ou rasga?

Porque o lóbulo não tem cartilagem. É só pele e gordura, sem estrutura para sustentar peso. Anos de brinco pesado alongam o furo aos poucos, e um puxão súbito pode romper a pele de uma vez.

A literatura descreve dois padrões. A fenda parcial costuma aparecer nas duas orelhas e está ligada ao uso prolongado de brincos pesados. A fenda completa, em geral, acontece de um lado só, quando o brinco é puxado de forma brusca.

Outros fatores também pesam:

  • Brincos grandes ou pesados usados por anos, inclusive para dormir.
  • Furo feito muito perto da borda do lóbulo, com pouca pele para sustentar.
  • Uso de alargador, que abre o furo de forma intencional e progressiva.
  • O envelhecimento, que deixa o lóbulo mais fino e mais longo.
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Furo alongado, rasgo parcial ou completo: qual é o seu caso?

A conduta muda conforme o tipo de defeito:

  • Furo alongado: o furo virou um corte vertical, mas a borda de baixo do lóbulo continua inteira. É a fase mais simples de corrigir.
  • Rasgo completo: a pele entre o furo e a borda se rompeu, e o lóbulo ficou dividido em duas pontas.
  • Lóbulo depois do alargador: o furo ficou largo e redondo, às vezes com o lóbulo alongado e fino em volta. Pede uma técnica de reconstrução própria.
  • Queloide ou cicatriz antiga no furo: muda o planejamento, como explicado mais adiante.

Não é preciso esperar rasgar. Corrigir o furo alongado enquanto a borda de baixo está inteira preserva o contorno natural do lóbulo, e isso ajuda a evitar que a fenda volte.

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Como é feita a lobuloplastia?

No consultório, com anestesia local. A orelha fica dormente, a pessoa permanece acordada e vai para casa no mesmo dia. Na maioria dos casos, as duas orelhas podem ser corrigidas na mesma sessão.

A pele que reveste o furo ou o rasgo já está cicatrizada e não se une sozinha. Por isso a cirurgia remove essa borda e reconstrói o lóbulo em camadas, com pontos na frente e atrás, desenhando de novo o contorno da orelha.

Existem dezenas de técnicas descritas. Uma revisão publicada no Journal of Drugs in Dermatology reuniu 21 métodos, 4 para o rasgo parcial e 17 para o rasgo completo. A escolha leva em conta o tamanho do lóbulo, a espessura da pele e o tipo de defeito, sempre em busca de um lóbulo arredondado e sem degrau na borda de baixo, que é a parte mais visível da correção.

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O que a literatura mostra sobre o resultado?

A lobuloplastia tem resultados consistentes nos estudos. Em uma série de 68 pacientes acompanhados por 4 a 10 anos, publicada nos Annals of Otology, Rhinology & Laryngology, a aparência do lóbulo foi considerada boa em 91% dos casos, e o rasgo voltou em pouco mais de 1%.

A revisão brasileira da Surgical & Cosmetic Dermatology reúne taxas de satisfação entre 92% e 100%. As complicações variam bastante entre os estudos, e as mais citadas são cicatriz mais grossa ou afundada, infecção da ferida e o retorno da fenda.

Esses números descrevem grupos de pacientes. O resultado de cada orelha depende do tipo de defeito, da pele e da cicatrização de cada pessoa.

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Quando dá para voltar a usar brinco?

Depois da cicatrização, em um furo novo. Ele é feito em pele íntegra e em posição planejada, para não repetir o problema.

O prazo varia na literatura. Há técnicas em que o novo furo é feito a partir de um mês, e autores que recomendam esperar seis meses de cicatrização. Por isso o momento é definido no retorno, olhando a cicatriz.

Algumas técnicas preservam o furo durante a própria cirurgia. Em geral, as que fecham todo o defeito e refazem o furo depois são consideradas mais seguras contra a volta do rasgo.

Com o furo novo, a orientação de uso leva em conta a espessura do lóbulo: brincos mais leves, tirar para dormir e evitar argola grande em situações de puxão, como pegar criança no colo.

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E quem usou alargador?

Tem correção, com técnica própria. O alargador deixa um defeito maior e, muitas vezes, um lóbulo alongado e fino em volta. Não basta fechar o furo, é preciso refazer o formato e, às vezes, reduzir o comprimento do lóbulo.

Na Surgical & Cosmetic Dermatology, dermatologistas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro descreveram uma adaptação da técnica em L para esses casos, feita em consultório com anestesia local. No caso relatado, o lóbulo ficou mais curto e com contorno arredondado.

Quem pensa em voltar a usar alargador no futuro deve contar isso na consulta, porque muda o planejamento.

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Quem tem queloide pode fazer?

Pode, com outro plano. O lóbulo da orelha é um dos lugares onde o queloide mais aparece, muitas vezes a partir do próprio furo do brinco. Quem já teve queloide tem mais chance de formar de novo depois de um corte.

Nesses casos, a retirada isolada costuma não bastar. Trabalhos brasileiros descrevem a combinação de cirurgia, infiltração de corticoide e brinco de pressão por alguns meses para reduzir a chance de o queloide voltar.

Por isso o histórico de queloide, seu ou da família, precisa ser contado na consulta, antes de corrigir o lóbulo e antes de fazer um furo novo.

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Quando procurar avaliação?

Vale agendar uma consulta quando aparece uma destas situações:

  • O brinco não firma mais ou pende para a frente.
  • O furo virou um corte vertical, mesmo sem rasgar.
  • O lóbulo rasgou, parcial ou totalmente.
  • O alargador saiu e o lóbulo ficou aberto ou alongado.
  • Surgiu um caroço firme, que coça ou cresce, no furo ou em volta dele.
  • Você quer voltar a usar brinco com segurança.
Na consulta · Dra. Helena Ciacci

A avaliação do lóbulo é feita pela Dra. Helena Ciacci, CRM MG 93658, nos consultórios de Varginha e Campo Belo. A consulta define o tipo de defeito, a espessura do lóbulo, o histórico de queloide e o plano para o novo furo, quando desejado. A lobuloplastia é feita no próprio consultório, com anestesia local, e o acompanhamento da cicatrização faz parte do tratamento. Cada caso é avaliado de forma individual.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns.

A lobuloplastia dói?

A cirurgia é feita com anestesia local, então a região fica dormente durante o procedimento. Depois, é comum haver um desconforto leve na área, controlado com as orientações passadas na consulta.

Preciso esperar a orelha rasgar por completo para operar?

Não. O furo apenas alongado, ainda sem rasgo, já pode ser corrigido, e nessa fase a cirurgia tende a ser mais simples. Corrigir enquanto a borda de baixo está inteira ajuda a preservar o contorno do lóbulo.

Quando posso usar brinco de novo?

Depois da cicatrização, em um furo novo feito em posição planejada. Na literatura, o prazo varia de um a seis meses, conforme a técnica, e o momento certo é definido no retorno.

Dá para corrigir as duas orelhas no mesmo dia?

Na maioria dos casos, sim. As duas orelhas costumam ser corrigidas na mesma sessão, com anestesia local, e a pessoa vai para casa no mesmo dia.

Quando os pontos são retirados?

Em geral, em cerca de uma semana. O prazo exato e os cuidados com o curativo são passados na consulta.

A orelha pode rasgar de novo?

Pode, mas é pouco comum quando o lóbulo é bem reconstruído e o brinco volta com cuidado. Em uma série de 68 pacientes acompanhados por anos, o rasgo voltou em pouco mais de 1% dos casos. Brinco leve e tirar para dormir ajudam a proteger o resultado.

Este artigo tem caráter informativo e não substitui uma consulta de avaliação dermatológica. Cada pessoa apresenta um quadro próprio, que deve ser avaliado de forma individual.

Fontes de referência: Maiolini VM e colaboradores, Nova proposta cirúrgica para reparação de lóbulo de orelha após o uso de alargador, Surgical & Cosmetic Dermatology, 2020. Ribeiro AA e colaboradores, Reparo do lóbulo da orelha partido: revisão da literatura e proposta de nova técnica, Surgical & Cosmetic Dermatology, 2009. Vujevich J, Goldberg LH e Obagi S, Repair of partial and complete earlobe clefts: a review of 21 methods, Journal of Drugs in Dermatology, 2007. Reiter D e Alford EL, Torn earlobe: a new approach to management with a review of 68 cases, Annals of Otology, Rhinology & Laryngology, 1994. A long-term review of Z-plasty technique for repair of split earlobes, European Journal of Plastic Surgery, 2010. Brito JBN e colaboradores, Confecção de brincos de borracha no intraoperatório para otimizar o tratamento cirúrgico de queloides no lóbulo da orelha, Revista da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia, 2021. Universidade Federal de Minas Gerais, dissertação de mestrado sobre o tratamento do queloide do lóbulo da orelha com triancinolona, retirada cirúrgica e compressão.

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Dra. Helena Ciacci · Dermatologia · Varginha e Campo Belo · CRM MG 93658