Hemangioma em bebê: o que é, quando cresce e quando tratar
O hemangioma não costuma estar pronto ao nascer. Ele aparece nas primeiras semanas e cresce mais até os 3 a 5 meses, e é por isso que a avaliação cedo faz diferença. Aqui está o que é o hemangioma, por que ele aparece, como cresce e regride, quando precisa de tratamento, como é o tratamento, como diferenciar de outras manchas do bebê e quando procurar avaliação.
Nas primeiras semanas, apareceu uma marquinha vermelha na pele do bebê. Parecia um arranhão ou uma picada. Pouco tempo depois, ficou mais viva, ganhou relevo e não parou de crescer. Ou surgiu um inchaço azulado sob a pele, e ninguém em casa sabe dizer o que é.
Pode ser um hemangioma infantil, o tumor benigno mais comum da infância, que muita gente chama de morango. Ele aparece em cerca de 4 a 5 em cada 100 bebês, segundo a diretriz da Academia Americana de Pediatria. Benigno não quer dizer que sempre dá para esperar. O hemangioma cresce mais nos primeiros meses, e é nesse período que se decide se ele precisa de tratamento.
O que é o hemangioma em bebê?
É um tumor benigno formado por vasos sanguíneos, o mais comum da infância, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria. Benigno quer dizer que não é câncer.
Ele pode aparecer de três formas:
- Superficial: vermelho vivo, em relevo, com a superfície que lembra um morango.
- Profundo: um inchaço azulado ou da cor da pele, abaixo da superfície.
- Misto: as duas partes juntas.
Mais da metade aparece na cabeça e no pescoço, e a maioria mede de meio centímetro a 5 centímetros, segundo o Manual MSD.
Por que o hemangioma aparece?
A causa exata ainda não é conhecida, segundo a Associação Britânica de Dermatologistas. Mas alguns bebês têm mais chance:
- Meninas.
- Bebês prematuros.
- Bebês que nasceram com baixo peso.
- Gêmeos e bebês de outras gestações múltiplas.
O baixo peso conta muito. Entre os bebês que nascem com menos de 1 quilo, até 30% têm hemangioma, segundo a diretriz americana. Conhecer esses fatores não muda o cuidado: o que orienta a conduta é como o hemangioma se comporta.
Como o hemangioma cresce e quando para?
Cresce rápido nos primeiros meses, para e depois regride devagar, ao longo de anos. Costuma aparecer nas primeiras semanas de vida, segundo a Associação Britânica de Dermatologistas.
Pela diretriz da Academia Americana de Pediatria, o crescimento mais rápido acontece entre o primeiro e o terceiro mês. Aos 3 meses, o hemangioma já costuma ter cerca de 80% do tamanho final, e a grande maioria para de crescer até os 5 meses.
Depois vem a regressão, que é lenta. A cor clareia, o volume amolece e diminui. Pela mesma diretriz, a maior parte da regressão acontece até os 4 anos.
O hemangioma some sozinho?
Muitos diminuem bastante, mas nem sempre sem deixar marca. Segundo o documento da Sociedade Brasileira de Pediatria, de 40% a 80% dos hemangiomas deixam alguma sequela, como vasinhos, excesso de tecido mole e gorduroso ou pele frouxa no lugar.
A diretriz americana encontrou marcas permanentes em 55% a 69% dos hemangiomas que não foram tratados, em centros de referência. São números de serviços que recebem os casos mais complexos, e não valem igualmente para todo hemangioma.
Esperar continua sendo a conduta para muitos hemangiomas pequenos e em locais sem risco. O que não pode esperar é a decisão. O documento brasileiro orienta levar o bebê para avaliação ainda nos dois primeiros meses de vida, e a diretriz americana fala em avaliar até 1 mês de idade os hemangiomas de maior risco.
Quando o hemangioma precisa de tratamento?
Quando a localização, o tamanho ou uma ferida trazem risco. Pela diretriz americana e pelo documento brasileiro, pedem atenção:
- Perto do olho, onde o hemangioma pode fechar a pálpebra ou pressionar o olho e prejudicar a visão.
- No nariz, nos lábios, na boca ou na orelha, onde pode atrapalhar a função ou marcar o contorno.
- Na região do queixo, da mandíbula e do pescoço, que pode estar ligada a hemangioma nas vias aéreas.
- Com ferida aberta, a ulceração, que é a complicação mais comum e costuma doer.
- Na área da fralda e nas dobras, onde a chance de ferida é maior.
- Grande, em placa extensa no rosto ou no couro cabeludo, que pede investigação de outras alterações, como na síndrome PHACE.
- Cinco ou mais hemangiomas na pele, quando a diretriz recomenda ultrassom do abdome para examinar o fígado.
Fora dessas situações, muitos hemangiomas são só acompanhados, com consultas de controle. Fotos com data, tiradas em casa, ajudam a mostrar quanto ele cresceu entre uma consulta e outra.
Como é o tratamento do hemangioma?
Quando o tratamento é indicado, a primeira escolha é um remédio da classe dos betabloqueadores, dado pela boca. É a recomendação da diretriz americana, da Associação Britânica de Dermatologistas e da Sociedade Brasileira de Pediatria. Costuma ser mantido até por volta de 1 ano de idade.
O remédio pede cuidados conhecidos:
- É dado junto ou logo depois da mamada ou da refeição, para evitar queda de açúcar no sangue.
- Fica suspenso nos dias em que o bebê come pouco ou vomita.
- No começo, são acompanhados os batimentos, a pressão e, em alguns casos, o eletrocardiograma.
- Alteração do sono e chiado no peito estão entre os efeitos possíveis e devem ser avisados ao médico.
Hemangiomas pequenos e superficiais, sem risco para a função, podem ser tratados com um betabloqueador em gel ou colírio, aplicado sobre a pele.
O laser e a cirurgia entram depois. O laser cuida dos vasinhos e da vermelhidão que ficaram depois da regressão, e não reduz a parte mais funda do hemangioma, segundo o documento brasileiro. A cirurgia raramente é feita no primeiro ano. Quando indicada para marcas que ficaram, costuma ficar para os 3 a 5 anos, segundo a diretriz americana.
Como diferenciar o hemangioma de outras manchas do bebê?
Pelo momento em que aparecem e pelo jeito que crescem. O hemangioma infantil surge nas primeiras semanas e cresce rápido. As malformações dos vasos já estão presentes ao nascer e não têm essa fase de crescimento, segundo o documento brasileiro.
As que mais se confundem com ele:
- Mancha salmão: rosada e plana, na testa, nas pálpebras ou na nuca, onde é chamada de bico da cegonha. Costuma clarear com o crescimento e fica mais visível quando o bebê chora ou esquenta.
- Mancha vinho do Porto: plana, rosada a arroxeada, uma malformação dos vasos que não desaparece. O laser é o tratamento mais usado.
- Hemangioma congênito: já nasce formado, sem o crescimento dos primeiros meses, e alguns tipos não regridem.
- Granuloma piogênico: uma bolinha vermelha que cresce rápido, sangra com facilidade e precisa ser retirada.
A diferença muda a conduta, e por isso o diagnóstico é feito no exame.
Quando procurar avaliação?
Vale agendar uma consulta quando aparece uma destas situações:
- Uma mancha vermelha ou um inchaço azulado apareceu nas primeiras semanas e está crescendo.
- Ela fica perto do olho, do nariz, da boca ou da orelha.
- Abriu uma ferida ou sangra.
- Há cinco ou mais manchas desse tipo pelo corpo.
- É grande e ocupa uma área extensa do rosto ou do couro cabeludo.
- Você não sabe se é hemangioma ou outra mancha de nascença.
Sangramento que não para, chiado ou dificuldade para respirar, ou um olho que deixou de abrir direito não esperam a consulta. São sinais para procurar atendimento no mesmo dia.
A avaliação do hemangioma é feita pela médica Dra. Helena Ciacci, CRM MG 93658, nos consultórios de Varginha e Campo Belo. O exame olha o tipo, o tamanho, a localização, a fase de crescimento e se há ferida, e separa o hemangioma de outras manchas dos vasos.
Quando há indicação, o tratamento pode usar o betabloqueador pela boca, o betabloqueador em gel ou colírio sobre a pele e, depois da regressão, laser para os vasinhos que ficaram. O início do remédio oral é acompanhado de perto, em conjunto com o pediatra da criança, e exames de imagem entram quando a localização ou o número de lesões pede. O que cada etapa faz e o tempo de acompanhamento são explicados à família antes de começar.
Quem vem de Três Pontas, Elói Mendes, Boa Esperança e Carmo da Cachoeira é atendido no consultório de Varginha. Quem vem de Cristais, Aguanil e Santana do Jacaré, no de Campo Belo.
Dúvidas comuns.
Não. É um tumor benigno formado por vasos sanguíneos, o mais comum da infância, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria. O que pede atenção é a localização, o tamanho e a velocidade de crescimento.
Muitos diminuem e clareiam sozinhos ao longo dos anos, mas parte deixa marcas, como vasinhos, pele frouxa ou cicatriz. Por isso a decisão entre esperar e tratar é tomada cedo, enquanto ele ainda cresce.
Em geral, não. Dói quando abre uma ferida, a ulceração, que é a complicação mais comum, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria.
Em geral, o sangramento é pequeno, segundo a Associação Britânica de Dermatologistas. Se ele continua, a criança precisa de atendimento. Ferida no hemangioma também pede avaliação, porque dói e pode deixar cicatriz.
É o tratamento de escolha nas diretrizes, com efeitos conhecidos, como alteração do sono, chiado e queda do açúcar no sangue. Por isso é dado junto ou logo depois da mamada, suspenso quando o bebê não está comendo e começado com acompanhamento de perto.
Não na fase de crescimento. O laser entra depois, para os vasinhos e a vermelhidão que ficaram, porque age na superfície e não reduz a parte mais funda do hemangioma.
Este artigo tem caráter informativo e não substitui uma consulta de avaliação dermatológica. A indicação de cada tratamento é individual, e o acompanhamento da saúde geral da criança segue com o pediatra.
Fontes de referência: Krowchuk DP e colaboradores, Clinical practice guideline for the management of infantile hemangiomas, Academia Americana de Pediatria, Pediatrics, 2019. Hoover L, Infantile hemangioma: AAP releases guideline for management, American Family Physician, 2019. Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Dermatologia, Hemangioma: nova classificação e atualização terapêutica, Documento Científico nº 3, 2018. Sociedade Brasileira de Pediatria, Hemangioma da infância, Pediatria para Famílias, 2025. British Association of Dermatologists, Infantile haemangioma, folheto ao paciente, 2026. Manual MSD, Hemangiomas, versão para o público, 2025. Manual MSD, Marcas congênitas comuns e pequenas marcas em recém-nascidos, versão para o público, 2025.
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Dra. Helena Ciacci · Dermatologia · Varginha e Campo Belo · CRM MG 93658
