Dermatologia Clínica · Artigo

Dermatite atópica em bebês e crianças: como reconhecer e cuidar

A dermatite atópica é uma inflamação crônica da pele que aparece sobretudo na infância. Ela muda de lugar conforme a idade, rouba o sono e, na maioria das crianças, melhora com o crescimento. Aqui está como reconhecer, o que ajuda em casa, o que os estudos mostram sobre dieta e pomada, e quando procurar avaliação.

Dra. Helena Ciacci · CRM MG 93658 · Dermatologia
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Canto de berço com lençol de algodão, body branco dobrado e pote de hidratante junto à janela, tema da dermatite atópica em crianças, Dra. Helena Ciacci, dermatologia em Varginha e Campo Belo

A dobra do braço vermelha e áspera, coçada até ferir. O bebê que esfrega as bochechas no lençol durante a noite. A família que acorda três, quatro vezes, e o dia seguinte que começa cansado para todo mundo.

Não é falta de cuidado nem de higiene, e não passa de uma criança para outra. É a dermatite atópica. Segundo o guia conjunto da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia e da Sociedade Brasileira de Pediatria, a forma é leve em 8 de cada 10 crianças afetadas. Leve, porém, não quer dizer simples para quem convive com a coceira, e é ela que o tratamento busca controlar.

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O que é a dermatite atópica na criança?

É uma inflamação crônica da pele, que alterna fases calmas e crises, e tem a coceira como sintoma principal.

A pele da criança com dermatite atópica segura menos água e deixa passar com mais facilidade o que irrita. Por isso fica seca e reage a coisas que outras crianças toleram, como suor, sabonete perfumado, lã, calor ou tempo seco.

O diagnóstico é clínico. Vem da conversa com a família e do exame da pele, e não depende de um exame de sangue para ser confirmado. Exames complementares entram quando a história pede, para investigar fatores que desencadeiam ou mantêm as crises.

Se a dúvida é a diferença entre a dermatite atópica, a seborreica e a de contato, há um artigo próprio sobre os tipos de dermatite.

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Onde ela aparece no bebê e na criança maior?

Depende da idade, e esse desenho ajuda no diagnóstico.

No bebê, as lesões costumam começar no rosto, sobretudo nas bochechas, e aparecem também no couro cabeludo, no pescoço e na parte de fora de braços e pernas. A área da fralda, em geral, fica poupada.

Com o crescimento, elas migram para as dobras: a parte de dentro dos cotovelos, atrás dos joelhos, punhos, tornozelos e pescoço. A coceira repetida deixa a pele dessas regiões mais grossa e marcada.

Em todas as fases, a pele do corpo tende a ser seca, mesmo longe da crise.

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Por que a dermatite atópica atrapalha tanto o sono?

Porque a coceira acorda a criança, e o sono picado cobra a conta no dia seguinte.

Um estudo que acompanhou quase 14 mil crianças desde o nascimento, publicado no JAMA Pediatrics, mostrou que as que tinham a doença ativa tiveram cerca de 50% mais chance de dormir mal. O tempo total de sono era parecido com o das outras crianças. O que piorava era a qualidade, com despertares e sono agitado, e o efeito era maior nos quadros graves e quando havia asma ou rinite junto.

Na prática, o sono funciona como termômetro. Se a criança acorda para coçar, o tratamento precisa de ajuste, mesmo que a pele pareça razoável durante o dia.

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Tirar leite, ovo ou outros alimentos melhora a pele?

O ganho para a pele costuma ser pequeno, e a retirada por conta própria tem riscos.

Uma revisão de 10 estudos controlados, com cerca de 600 participantes e idade média perto de um ano e meio, publicada em 2022 no Journal of Allergy and Clinical Immunology: In Practice, encontrou no máximo uma melhora pequena da pele com dietas de exclusão, e com evidência de baixa certeza. Os autores apontaram ainda indícios de que essas dietas podem aumentar o risco de a criança desenvolver alergia alimentar.

Isso não significa que alergia alimentar não exista. Quando a família percebe reação logo depois de comer, como placas que coçam, inchaço nos lábios ou nos olhos, ou vômito, vale investigar com orientação médica, sem cortar alimentos por conta própria.

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A pomada com corticoide faz mal para a criança?

Usada como foi indicada, ela é uma das bases do tratamento da crise.

O consenso da Sociedade Brasileira de Dermatologia apoia o tratamento em hidratação da pele, anti-inflamatórios aplicados na pele e afastamento dos fatores que desencadeiam as crises, junto com orientação à família. O corticoide tópico está entre esses anti-inflamatórios, e existem opções sem corticoide para áreas sensíveis e para a manutenção, com indicação conforme a idade.

Os problemas aparecem, sobretudo, no uso sem orientação: potência acima do necessário, aplicação no rosto ou nas dobras por semanas seguidas, ou a pomada que serviu para outra criança.

O mais comum, porém, é o contrário. Em um estudo francês publicado no British Journal of Dermatology, com 208 questionários respondidos em sua maioria por pais, 8 em cada 10 relataram medo de usar corticoide na pele, e mais de 1 em cada 3 admitiu não seguir o tratamento como foi prescrito. Os autores ligam esse medo a muitas das falhas de tratamento.

Quantidade, local e duração são definidos na consulta. Dúvida sobre a pomada é motivo para perguntar, não para parar por conta própria.

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O que ajuda em casa, entre uma crise e outra?

Cuidar da pele todos os dias, inclusive quando ela parece boa. É a parte do tratamento que acontece em casa.

  • Banho diário, morno e curto, com sabonete suave e sem esfregar a pele.
  • Hidratante logo após o banho, com a pele ainda levemente úmida, e de novo ao longo do dia. O consenso da Sociedade Brasileira de Dermatologia coloca a aplicação duas vezes ao dia como parte principal do cuidado de base.
  • Roupas de algodão em contato com a pele, sem lã nem etiqueta raspando, e sem amaciante perfumado.
  • Unhas curtas, para que a coceira machuque menos a pele.
  • O plano de manutenção combinado na consulta, seguido também nas semanas boas.

Hidratante, neste caso, faz parte do tratamento. Ele age justamente no ponto fraco da doença, a barreira da pele.

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A dermatite atópica passa com o tempo?

Na maioria das crianças, ela melhora bastante com o crescimento.

Uma metanálise publicada no Journal of the American Academy of Dermatology reuniu 45 estudos, com mais de 110 mil participantes de 15 países. Em 8 de cada 10 crianças, a doença não persistia oito anos depois do diagnóstico, e menos de 5% ainda a tinham 20 anos depois.

O mesmo trabalho mostrou que os quadros mais graves, os que começam mais tarde e os que acontecem em meninas tendem a durar mais. A tendência é boa, mas o caminho de cada criança não é previsível.

Enquanto a doença está ativa, o objetivo é controle: menos crises, menos coceira e um sono melhor.

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Quando procurar avaliação?

Vale agendar uma consulta quando aparece uma destas situações:

  • A coceira acorda a criança ou atrapalha a escola e as brincadeiras.
  • A pele não melhora com a hidratação e os cuidados de casa.
  • As crises voltam com frequência, ou a melhora só dura enquanto a pomada está em uso.
  • Surgem crostas amareladas, secreção ou áreas doloridas, que podem indicar infecção.
  • Existe suspeita de reação a algum alimento.
  • A família tem dúvida sobre pomada, dieta ou produtos e quer um plano claro.

Procure atendimento no mesmo dia se aparecerem bolhinhas agrupadas que se transformam em pequenas feridas redondas, sobretudo com febre ou abatimento. Pode ser uma infecção por vírus sobre a pele com dermatite, o eczema herpético, mais comum em bebês e crianças e que precisa de tratamento rápido.

Na consulta · Dra. Helena Ciacci

A avaliação da criança com dermatite atópica é feita pela Dra. Helena Ciacci, CRM MG 93658, nos consultórios de Varginha e Campo Belo. A consulta confirma o diagnóstico, diferencia de outras condições que coçam parecido, avalia a extensão e o que piora o quadro, e monta com a família um plano para a crise e para a manutenção, com orientação sobre banho, hidratação e uso da medicação. Nos casos moderados a graves que não controlam com o tratamento tópico, a indicação de tratamento sistêmico, incluindo imunobiológicos, é avaliada de forma individual.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns.

Dermatite atópica é contagiosa?

Não. Ela não passa de uma criança para outra, nem pelo contato, nem por roupa ou toalha. A criança pode frequentar a escola e a creche normalmente.

Dermatite atópica tem cura?

É uma condição crônica, e o objetivo do tratamento é o controle. Na maioria das crianças, a doença melhora muito com o crescimento, e o tratamento busca reduzir as crises, a coceira e o impacto no sono.

Passar hidratante no bebê desde o nascimento evita a dermatite?

Os estudos mais recentes indicam que não. No estudo BEEP, publicado no The Lancet com quase 1.400 recém-nascidos de famílias com histórico de dermatite, rinite ou asma, a doença apareceu em 23% dos bebês que receberam hidratante diário e em 25% dos que não receberam, com um pouco mais de infecção de pele no primeiro grupo. Para quem já tem a doença, o hidratante segue como parte central do tratamento.

Posso dar banho todos os dias?

Sim. Banho diário, morno e curto, seguido de hidratante na pele ainda levemente úmida, é a orientação do consenso da Sociedade Brasileira de Dermatologia. O que costuma piorar é água muito quente, banho demorado e esfregar a pele.

Preciso tirar leite e ovo da alimentação?

Não sem avaliação. A retirada por conta própria costuma trazer pouco ganho para a pele, e há indícios de que pode aumentar o risco de alergia alimentar. Se houver reação logo depois de comer, a investigação é feita com orientação médica.

Por quanto tempo a criança vai usar pomada?

Depende da fase. A medicação anti-inflamatória entra nas crises e, em alguns casos, numa fase de manutenção por um período. O que segue de forma contínua é o cuidado diário com a pele, e o plano é revisado nos retornos.

Este artigo tem caráter informativo e não substitui uma consulta de avaliação dermatológica. Cada criança apresenta um quadro próprio, que deve ser avaliado de forma individual.

Fontes de referência: Antunes AA e colaboradores, Guia prático de atualização em dermatite atópica, parte I: etiopatogenia, clínica e diagnóstico. Posicionamento conjunto da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia e da Sociedade Brasileira de Pediatria, Arquivos de Asma, Alergia e Imunologia, 2017. Aoki V e colaboradores, Consensus on the therapeutic management of atopic dermatitis, Brazilian Society of Dermatology, Anais Brasileiros de Dermatologia, 2019. Ramirez FD e colaboradores, Association of atopic dermatitis with sleep quality in children, JAMA Pediatrics, 2019. Oykhman P e colaboradores, Dietary elimination for the treatment of atopic dermatitis: a systematic review and meta-analysis, The Journal of Allergy and Clinical Immunology: In Practice, 2022. Aubert-Wastiaux H e colaboradores, Topical corticosteroid phobia in atopic dermatitis: a study of its nature, origins and frequency, British Journal of Dermatology, 2011. Kim JP e colaboradores, Persistence of atopic dermatitis (AD): a systematic review and meta-analysis, Journal of the American Academy of Dermatology, 2016. Chalmers JR e colaboradores, Daily emollient during infancy for prevention of eczema: the BEEP randomised controlled trial, The Lancet, 2020.

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Dra. Helena Ciacci · Dermatologia · Varginha e Campo Belo · CRM MG 93658