Dermatologia Clínica · Artigo

Dermatite: atópica, seborreica e de contato

Dermatite é o nome de um grupo de doenças, não de uma delas. Atópica, seborreica e de contato coçam parecido e descamam parecido, mas têm causas diferentes. E o que acalma uma pode manter a outra.

Poltrona clara com toalhas e roupão de algodão junto à janela, ilustrando a rotina de cuidado da pele com dermatite, Dra. Helena Ciacci em Varginha e Campo Belo

Coceira que não passa, vermelhidão que vai e volta, descamação que melhora com uma pomada e retorna semanas depois. É a mesma queixa que chega ao consultório com nomes diferentes: alergia, pele sensível, eczema, dermatite.

O problema é que dermatite não é um diagnóstico fechado. É uma categoria. E o tratamento só funciona quando se sabe qual delas está ali.

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Dermatite é um nome, não um diagnóstico

Dermatite descreve inflamação da pele. Dentro dessa palavra cabem quadros com mecanismos distintos: um defeito de barreira com componente genético, uma resposta irritativa a uma levedura que já vive na pele, uma reação imunológica a uma substância específica.

Os três dão coceira. Os três dão vermelhidão e descamação. É por isso que o autodiagnóstico erra tanto, e por isso que a mesma pomada emprestada de um parente às vezes ajuda e às vezes piora.

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Dermatite atópica e o ciclo da barreira

A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica e pruriginosa. Segundo o consenso da Sociedade Brasileira de Dermatologia, sua origem é multifatorial e envolve defeito da barreira cutânea, disfunção imunológica e alteração do microbioma da pele.

O ponto que explica quase tudo é a filagrina, proteína que ajuda a manter a integridade da camada mais externa da pele. Quando ela falta, a barreira fica permeável. Alérgenos e microrganismos penetram com mais facilidade, a inflamação aumenta, e essa mesma inflamação reduz ainda mais a produção de filagrina. O quadro se realimenta.

É por isso que hidratar não é cosmético nesse contexto, é tratamento. E é por isso que cuidar apenas da crise deixa a porta aberta para a próxima.

Costuma começar cedo. Entre as crianças que desenvolvem a doença, cerca de metade manifesta o quadro no primeiro ano de vida.

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Dermatite seborreica e onde ela aparece

A seborreica se instala nas áreas de maior produção de sebo: couro cabeludo, sobrancelhas, laterais do nariz, região atrás das orelhas e, em alguns casos, o tórax.

A teoria aceita hoje relaciona o quadro à Malassezia, levedura que vive na superfície da pele da maioria das pessoas. Em indivíduos suscetíveis, subprodutos do metabolismo dela irritam a pele. Não é infecção contagiosa, nem falta de higiene.

É crônica e cursa com períodos de melhora e piora, com frequência ligados a estresse, cansaço e mudança de clima. Por isso a manutenção entre as crises pesa mais que a intensidade do tratamento durante a crise.

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Dermatite de contato: irritativa ou alérgica

Aqui existem duas coisas diferentes com o mesmo sobrenome.

  • Irritativa: a substância agride a pele diretamente, sem envolver o sistema imune. Depende da concentração e do tempo de contato e pode acontecer com qualquer pessoa. É a forma mais comum.
  • Alérgica: é uma reação de hipersensibilidade tardia, que exige sensibilização prévia. A pessoa conviveu com a substância sem problema até que o organismo passou a reagir a ela.

Na forma alérgica, o teste de contato é o exame de referência para identificar o agente. Adesivos com substâncias padronizadas são aplicados no dorso e lidos em dois momentos, em geral com 48 e 96 horas. A bateria padrão brasileira reúne 30 substâncias, e existem baterias específicas para cosméticos e produtos capilares.

E há um detalhe que muda o prognóstico. Identificado o agente, afastá-lo é a conduta mais eficaz, e nenhum tratamento substitui esse afastamento.

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Por que o mesmo sintoma engana

Coceira, vermelhidão e descamação são a linguagem limitada da pele. Ela responde a estímulos muito diferentes com um repertório pequeno de sinais.

O que separa um quadro do outro é o resto: onde aparece, desde quando, o que melhora, o que piora, o que a pessoa usa na pele, o que ela faz no trabalho, se há histórico de asma ou rinite na família. O diagnóstico mora aí, não na lesão isolada.

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O erro que mais atrasa o tratamento

O corticoide tópico é medicação útil e tem lugar definido no tratamento de várias dermatites. O problema é o uso por conta própria, por tempo indeterminado, e principalmente no rosto.

Ele reduz a inflamação rápido, o que dá a sensação de acerto. Mas mascara o quadro, dificulta o diagnóstico depois, e o uso prolongado em pele fina tem efeitos próprios. Quando a medicação para, a lesão volta, às vezes pior, e o ciclo recomeça.

Existe ainda um efeito prático. Em quem vai fazer teste de contato, medicação que interfere na resposta imune pode alterar o resultado do exame.

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O que sustenta o controle no dia a dia

Nenhuma das três se resolve com tratamento pontual. O que sustenta o controle é a rotina.

  • Banho diário seguido de hidratação, com o hidratante aplicado na pele ainda levemente úmida, logo após secar. A recomendação vem do consenso da Sociedade Brasileira de Dermatologia para a dermatite atópica.
  • Manutenção entre as crises na seborreica, e não apenas tratamento quando a descamação aparece.
  • Afastamento consistente do agente identificado, na de contato. Isso costuma exigir ler rótulo e rever produtos de uso diário.
  • Revisão do que se passa na pele. Excesso de produto, excesso de ativo e troca frequente de cosmético são causa comum de piora.

Nos casos moderados a graves de dermatite atópica que não respondem ao tratamento tópico, existem hoje opções sistêmicas, incluindo imunobiológicos. A indicação é individual e passa por avaliação.

No consultório

No consultório da Dra. Helena Ciacci, em Varginha e Campo Belo, a investigação da dermatite começa pela história clínica e pelo exame da pele, que definem o tipo e orientam a conduta, incluindo a indicação de exames complementares quando necessário. Casos de dermatite atópica moderada a grave podem envolver tratamento com imunobiológicos.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns.

Dermatite tem cura?

Dermatite atópica e seborreica são condições crônicas, então o objetivo do tratamento é controle e prevenção de crises. Já a dermatite de contato tende a se resolver quando o agente causador é identificado e afastado.

Dermatite é contagiosa?

Não. Nenhuma das formas descritas aqui se transmite de pessoa para pessoa. A seborreica está ligada a uma levedura que já vive na pele da maioria das pessoas, e não a um agente externo transmissível.

Posso usar a pomada que serviu para outra pessoa?

Não. Corticoides e antifúngicos têm indicações diferentes, e o que controla um tipo de dermatite pode manter ou agravar outro. Além disso, o uso sem orientação dificulta o diagnóstico depois.

Como funciona o teste de contato?

Adesivos com substâncias padronizadas são aplicados no dorso e retirados após um período determinado, com leituras em dois momentos, em geral com 48 e 96 horas. É o exame de referência para identificar o agente na dermatite alérgica de contato.

Hidratante resolve a dermatite atópica?

Sozinho, não. Mas a hidratação é parte estrutural do tratamento, porque atua justamente onde está o defeito, na barreira da pele. O consenso brasileiro recomenda banho diário seguido de hidratação, com o produto aplicado na pele ainda levemente úmida.

Estresse piora a dermatite?

É um gatilho relatado com frequência, sobretudo na seborreica e na atópica. Ele não causa a doença, mas costuma participar dos períodos de piora, ao lado de mudança de clima, cansaço e alterações de rotina.

Este conteúdo é informativo. A indicação e o protocolo de cada tratamento são definidos individualmente após avaliação dermatológica presencial.

Sociedade Brasileira de Dermatologia, Consenso sobre manejo terapêutico da dermatite atópica. Anais Brasileiros de Dermatologia, atualização na patogênese da dermatite atópica, revisão sobre dermatite seborreica e publicações sobre teste de contato e dermatite de contato.

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Dra. Helena Ciacci · Dermatologia · Varginha e Campo Belo · CRM MG 93658