Rugas no pescoço e colar de Vênus: por que aparecem e o que ajuda
O pescoço envelhece em três camadas ao mesmo tempo: a pele, o músculo e a sustentação. Aqui está o que causa as linhas horizontais e as cordas verticais, o que os estudos mostram sobre cada tratamento e quando vale procurar avaliação.
A foto de perfil mostra o que o espelho de frente esconde: linhas que atravessam o pescoço, uma pele mais fina, cordas que aparecem quando a pessoa fala. Muita gente percebe isso depois de anos cuidando do rosto, porque o creme costuma parar no queixo.
Essas mudanças têm causas diferentes, e por isso um único produto ou procedimento raramente dá conta de todas. Entender o que vem da pele, do músculo e da perda de sustentação é o primeiro passo para escolher o que faz sentido em cada caso.
Por que o pescoço envelhece de um jeito diferente do rosto?
Porque a pele ali é mais fina, tem pouca oleosidade natural e costuma receber menos cuidado do que o rosto.
Um estudo sobre linhas do pescoço publicado no Aesthetic Surgery Journal lembra que essa pele, com poucas glândulas de gordura e pouca hidratação natural, perde com mais facilidade a estrutura que lhe dá firmeza. Somam-se a isso décadas de sol na frente e nas laterais do pescoço e um músculo largo e fino, o platisma, que se contrai a cada conversa.
O efeito aparece em camadas. Na superfície, linhas e textura. No músculo, cordas. E, por baixo de tudo, a perda de sustentação.
O que é o colar de Vênus?
É o nome popular das linhas horizontais que atravessam a frente do pescoço.
Elas podem surgir cedo, porque parte delas acompanha dobras naturais da pele. Um ensaio clínico publicado em 2026 no Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology descreve essas linhas como um dos primeiros sinais visíveis do envelhecimento da pele.
Com o tempo, a perda de colágeno e o sol acumulado fazem com que fiquem marcadas mesmo com o pescoço parado. É essa linha estática, que não some quando a pessoa levanta o queixo, a que costuma incomodar mais e a que pede uma conduta própria.
E as cordas verticais que aparecem ao falar?
São o músculo platisma, que fica mais visível quando se contrai.
Com a idade, a pele perde elasticidade e a borda desse músculo passa a aparecer como faixas verticais, sobretudo ao falar, sorrir ou fazer força. A contração também pode puxar a linha da mandíbula para baixo, e o contorno do rosto fica menos definido.
Um estudo de fase 3 com 408 adultos, publicado em 2024 no Journal of the American Academy of Dermatology, comparou a toxina botulínica aplicada no platisma com placebo. O grupo tratado teve melhora na aparência das cordas e da linha da mandíbula e relatou mais satisfação, com eventos adversos em frequência parecida com a do placebo. No mesmo ano, a agência americana FDA aprovou esse uso para cordas moderadas a graves.
O efeito da toxina é temporário. Ela relaxa o músculo por alguns meses e não trata a pele nem a flacidez.
Pescoço flácido: é pele, músculo ou gordura?
Muitas vezes é uma mistura, e a resposta muda o tratamento.
A flacidez da pele vem da perda de colágeno e de elastina, que diminuem com a idade e com o sol, e pode ficar mais evidente depois de um emagrecimento grande. A papada costuma envolver acúmulo de gordura abaixo do queixo. As cordas vêm do músculo. Tratar uma coisa achando que é outra costuma frustrar.
Para a flacidez leve, um consenso internacional publicado na Dermatologic Surgery descreve o uso de bioestimulador de colágeno diluído no pescoço, aplicado logo abaixo da pele para estimular a formação de colágeno novo. A melhora é gradual e depende da qualidade da pele de partida.
Os recursos usados na consulta e a forma como se combinam estão na página sobre flacidez no pescoço.
Ácido hialurônico funciona no colar de Vênus?
Para as linhas horizontais, é um dos recursos com mais estudos.
Um ensaio randomizado publicado no Aesthetic Surgery Journal, com 48 mulheres que completaram o acompanhamento, comparou o ácido hialurônico aplicado ao longo das linhas, junto com aplicações superficiais de hidratação, com a toxina botulínica. O grupo do ácido hialurônico teve melhora maior das linhas em todas as avaliações.
Em outro estudo, menor, publicado na Dermatologic Surgery com 26 participantes, a melhora das linhas tratadas com ácido hialurônico se manteve um ano depois, sem efeitos adversos de longo prazo.
Ele suaviza a linha, mas não muda a flacidez nem as cordas. Por isso costuma entrar como parte do plano, e não como resposta para o pescoço inteiro.
Protetor solar no pescoço faz diferença?
Faz, e é a medida de prevenção com mais evidência.
Um ensaio clínico australiano publicado no Annals of Internal Medicine acompanhou 903 adultos com menos de 55 anos por quatro anos e meio. Quem passou protetor todos os dias não teve aumento detectável do envelhecimento da pele, que foi 24% menor do que no grupo que usava protetor só quando queria. A medida foi feita na pele do dorso das mãos, e o princípio vale para qualquer área que recebe sol.
O Consenso Brasileiro de Fotoproteção, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, orienta o uso diário de protetor nas áreas expostas. Na prática, isso quer dizer levar o protetor e o hidratante do rosto até o pescoço e o colo, todos os dias.
O sol acumulado também deixa marcas de cor. A mistura de manchas acastanhadas, vermelhidão e vasinhos nas laterais do pescoço, com a região embaixo do queixo poupada, tem nome: poiquilodermia de Civatte. O tratamento costuma envolver laser ou luz intensa pulsada, com indicação definida em consulta.
Dá para tratar o pescoço sem cirurgia?
Nos casos leves a moderados, os procedimentos de consultório costumam vir primeiro. Quando sobra muita pele, a conversa é outra.
Cada recurso age em uma camada. O bioestimulador e o ultrassom microfocado estimulam colágeno, o ácido hialurônico trata as linhas, a toxina botulínica relaxa as cordas, e o laser ou a luz intensa pulsada cuidam das manchas e dos vasinhos. O plano define o que entra, em que ordem e com que intervalo.
Nenhum desses recursos retira a pele que sobrou. Quando a sobra é grande, a indicação passa a ser cirúrgica, e a avaliação orienta o encaminhamento.
A melhora com os procedimentos é gradual e varia de pessoa para pessoa. Como o tempo e o sol continuam agindo, a manutenção e a fotoproteção fazem parte do plano.
Quando procurar avaliação?
Vale agendar uma consulta quando aparece uma destas situações:
- As linhas horizontais ficaram marcadas mesmo com o pescoço parado.
- Cordas verticais aparecem ao falar ou ao fazer força.
- A pele do pescoço ficou mais flácida, sobretudo depois de emagrecer.
- As laterais do pescoço e o colo têm manchas, vermelhidão ou vasinhos.
- O rosto já é tratado e o pescoço ficou com aparência diferente.
- Há dúvida entre flacidez e papada, ou sobre o que cabe em cada caso.
Ferida que não cicatriza em algumas semanas, pinta que muda de cor ou de tamanho e caroço no pescoço não fazem parte do envelhecimento. O pescoço recebe muito sol, e lesões assim precisam de avaliação médica sem esperar.
A avaliação do pescoço é feita pela Dra. Helena Ciacci, CRM MG 93658, nos consultórios de Varginha e Campo Belo. O exame é feito com o pescoço parado e em movimento, para distinguir linhas, cordas, flacidez, gordura e manchas. A partir daí, a consulta define o que entra no plano e em que ordem, e orienta o encaminhamento quando a indicação é cirúrgica.
Dúvidas comuns.
Não existe uma idade certa. As linhas horizontais podem aparecer cedo, porque parte delas acompanha dobras naturais do pescoço. A perda de colágeno e o sol acumulado ao longo dos anos tendem a deixá-las mais marcadas.
Hidratante e cremes de tratamento melhoram a superfície da pele e o aspecto das linhas finas, mas não alcançam a ação do músculo nem a perda de sustentação. O creme com mais evidência para prevenir o envelhecimento da pele é o protetor solar de uso diário.
Ainda não há evidência sólida de que o celular cause as linhas do pescoço. A ideia é popular, mas o que os estudos mostram com clareza é o papel da idade, do sol e da perda de colágeno.
A substância é a mesma, mas o local, os pontos de aplicação e a dose são outros. No pescoço, ela é aplicada no músculo platisma para relaxar as cordas, e o efeito é temporário.
Não. A papada costuma envolver acúmulo de gordura abaixo do queixo, e a flacidez é a perda de firmeza da pele. As duas podem aparecer juntas, e a avaliação separa uma da outra porque a conduta muda.
Depende do recurso. A toxina botulínica age por alguns meses, e o colágeno estimulado continua sujeito ao tempo e ao sol. Por isso a manutenção e a proteção solar diária fazem parte do plano.
Este artigo tem caráter informativo e não substitui uma consulta de avaliação dermatológica. Cada pele apresenta um quadro próprio, e a indicação de qualquer procedimento é individual.
Fontes de referência: Li Y e colaboradores, Hyaluronic acid compound filling plus mesotherapy vs botulinum toxin A for the treatment of horizontal neck lines: a multicenter, randomized, evaluator-blinded, prospective study in Chinese subjects, Aesthetic Surgery Journal, 2022. Jiang M e colaboradores, Safety and efficacy of hyaluronic acid-based filler for neck wrinkles: a prospective, multicenter, randomized, parallel-controlled non-inferiority trial, Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology, 2026. Fabi S e colaboradores, Improvement of platysma prominence with onabotulinumtoxinA: safety and efficacy results from a randomized, double-blinded, placebo-controlled phase 3 trial, Journal of the American Academy of Dermatology, 2024. Goldie K e colaboradores, Global consensus guidelines for the injection of diluted and hyperdiluted calcium hydroxylapatite for skin tightening, Dermatologic Surgery, 2018. Siperstein R e colaboradores, One-year data on the longevity and safety of hyaluronic acid filler for static horizontal neck rhytids, Dermatologic Surgery, 2023. Hughes MC e colaboradores, Sunscreen and prevention of skin aging: a randomized trial, Annals of Internal Medicine, 2013. Schalka S e colaboradores, Consenso Brasileiro de Fotoproteção, Sociedade Brasileira de Dermatologia, Anais Brasileiros de Dermatologia, 2014.
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Dra. Helena Ciacci · Dermatologia · Varginha e Campo Belo · CRM MG 93658
