Bioestimulador de colágeno: como funciona e quanto dura
O bioestimulador não preenche. Ele estimula a sua pele a fabricar colágeno novo, e por isso o resultado leva meses para se formar. Aqui está o que esperar em cada fase, o que muda entre os tipos e quando o procedimento precisa esperar.
Você chegou até aqui porque ouviu falar de bioestimulador, ou porque percebeu a pele do rosto perdendo firmeza e quer entender o que existe antes de marcar alguma coisa. A dúvida costuma ser a mesma: funciona, em quanto tempo aparece e o que acontece quando passa.
Antes de tudo, uma correção que muda o resto da leitura. O bioestimulador não preenche. Ele provoca uma reação no tecido para que a sua própria pele produza colágeno. É por isso que o efeito não vem de um dia para o outro, e é por isso que a forma de avaliar se está funcionando também é diferente.
O que é o bioestimulador de colágeno
O bioestimulador de colágeno é uma substância injetável que estimula a própria pele a produzir colágeno novo, em vez de repor volume com o produto aplicado.
O funcionamento é mais simples do que o nome sugere. As micropartículas provocam uma reação controlada no tecido, do tipo que o corpo usa para se reorganizar, e não a inflamação de uma infecção. Essa reação ativa os fibroblastos, que são as células que fabricam colágeno. As partículas ainda servem de apoio para o tecido novo se organizar em volta. Na literatura, esse processo aparece com o nome de neocolagênese.
O colágeno é a proteína que sustenta a pele por dentro. A produção começa a cair ainda na casa dos vinte anos e segue diminuindo com o tempo. É essa queda que você enxerga no espelho como perda de firmeza e de contorno.
Bioestimulador e preenchimento não são a mesma coisa
São procedimentos diferentes, com objetivos diferentes, e confundir um com o outro é a causa mais comum de frustração.
O preenchimento repõe volume num ponto específico, e o efeito já aparece na saída da consulta. O bioestimulador trabalha a sustentação e a qualidade da pele de forma espalhada, e o efeito se constrói na velocidade em que o seu corpo produz colágeno.
Existe um detalhe que explica boa parte da confusão. Alguns bioestimuladores vêm suspensos num gel, e esse gel ocupa volume assim que é aplicado. Nas primeiras semanas ele é reabsorvido, enquanto o colágeno ainda está se formando. É aí que muita gente sente que o resultado sumiu. Não sumiu. É o comportamento esperado do produto, e saber disso antes evita a impressão de que o procedimento falhou.
Serve para o quê, no rosto e no corpo
No rosto, a indicação mais comum é a perda de firmeza e a flacidez leve a moderada. As áreas que mais aparecem na consulta são o terço médio, o contorno da mandíbula, a região temporal, o pescoço e o colo.
No corpo, a aplicação acompanha regiões onde a flacidez e a textura irregular incomodam, como braços, abdômen, glúteos e coxas. São áreas grandes, então a quantidade de produto e o intervalo entre as sessões mudam em relação ao rosto.
Também vale dizer o que fica de fora. Bioestimuladores não são aplicados em lábios nem em pálpebras. E, quando a flacidez é importante, a cirurgia pode continuar sendo a melhor indicação. Ouvir isso na avaliação é melhor do que descobrir depois de três sessões.
Quantas sessões e em quanto tempo o resultado aparece
Não existe número fixo de sessões, e o efeito não é de uma semana.
A literatura descreve colágeno novo detectável a partir de mais ou menos seis semanas, com pico entre três e seis meses depois da aplicação. O ácido poli-L-láctico costuma ser aplicado em série, com intervalo entre as sessões. Os produtos que vêm em gel podem exigir menos sessões no começo, com reavaliação depois.
O que a consulta define é o intervalo e a hora de reavaliar, não uma data de resultado. Duas pessoas com a mesma idade e a mesma área tratada respondem de formas diferentes, porque quem fabrica o colágeno é o organismo de cada uma.
Os tipos usados no Brasil e o que muda entre eles
Quem escolhe a substância é quem indica, depois de examinar a sua pele. Ainda assim, vale saber que são três, porque elas se comportam de formas diferentes no tempo.
- Ácido poli-L-láctico. Não dá volume na hora. O ganho é progressivo, e a literatura descreve ação em torno de vinte e quatro meses.
- Hidroxiapatita de cálcio. Vem em gel, então dá um efeito visível logo depois da aplicação. Esse efeito é passageiro, e o estímulo de colágeno segue acontecendo por baixo. Os efeitos costumam ser relatados entre doze e dezoito meses.
- Policaprolactona. Também em gel, com degradação mais lenta. É o grupo descrito com maior durabilidade.
Nenhuma é melhor que a outra em abstrato. A escolha depende da área, do que predomina no seu rosto, da espessura da pele e do objetivo do tratamento. É por isso que este texto não cita marca. O que decide o resultado é a indicação, não o nome do produto.
Como é a aplicação e os dias seguintes
A aplicação é feita no consultório, com anestesia tópica ou local conforme a área, usando agulha ou microcânula. A profundidade em que o produto entra faz parte do planejamento e muda conforme a região.
Nos primeiros dias é comum inchaço, vermelhidão, sensibilidade no local e pequenas manchas roxas. Costumam passar em poucos dias.
A massagem depois do procedimento merece um parágrafo próprio, porque circula como regra para todo mundo e não é. A orientação clássica descrita para o ácido poli-L-láctico é massagear a área por cinco minutos, cinco vezes ao dia, durante cinco dias, para o produto se distribuir por igual. Para os outros bioestimuladores a conduta muda conforme o produto e a técnica usada, e em alguns casos massagear não é indicado e pode até deslocar o produto. Quem orienta é quem aplicou.
Nódulos: o que é esperado e o que precisa de avaliação
Pequenas irregularidades que dá para sentir com o dedo podem aparecer, e nem toda irregularidade é complicação.
Um nódulo pequeno, que não dói e não fica vermelho, sobretudo com o ácido poli-L-láctico, costuma ser o produto que se distribuiu de forma desigual, e tende a se acomodar. O que precisa ser avaliado é outra coisa: nódulo que cresce, endurece, dói, fica avermelhado, ou que aparece semanas a meses depois da aplicação. Nesse último caso pode ser um granuloma, que é raro e tem conduta própria.
O risco está ligado sobretudo à técnica, à diluição, ao plano de aplicação e ao cuidado no pós-procedimento, e não à marca escolhida. Se você sentiu algo diferente, volte ao consultório. Isso não é incomodar. É o acompanhamento funcionando.
Quando o bioestimulador deve esperar
- Infecção ativa, ferida ou lesão inflamada na área a ser tratada.
- Doença autoimune em atividade, ou histórico de reação a injetáveis com formação de nódulo.
- Gestação e amamentação, por falta de dados de segurança.
- Peso ainda caindo bastante, porque o rosto continua mudando e o planejamento se perde.
- Produto permanente aplicado antes naquela região, que muda o comportamento do tecido e pede avaliação prévia.
- Expectativa de efeito imediato, ou de resultado igual ao de uma cirurgia.
Adiar não é perder tempo. É o que permite fazer o procedimento com segurança e com a expectativa no lugar certo.
No consultório, em Varginha e em Campo Belo, eu indico o bioestimulador depois da avaliação presencial, que é onde defino a área, o tipo de produto, o plano de aplicação e o intervalo entre as sessões. A orientação do pós-procedimento e o acompanhamento nas semanas seguintes fazem parte do tratamento, não são um extra. E se em algum caso o bioestimulador não for o melhor caminho, é isso que eu vou dizer.
Dúvidas comuns.
A aplicação é feita com anestesia tópica ou local conforme a área, e o desconforto costuma ser bem tolerado. Nas horas seguintes é comum sentir a região sensível, e isso diminui em poucos dias.
Depende do produto, da área e do que a avaliação encontra. O ácido poli-L-láctico costuma ser aplicado em série, com intervalo entre as sessões. Os produtos em gel podem exigir menos sessões no começo, com reavaliação depois. O número é definido na consulta, não antes dela.
É gradual. A literatura descreve colágeno novo detectável a partir de mais ou menos seis semanas, com pico entre três e seis meses. Por isso a avaliação evita prometer prazo exato, já que quem produz o colágeno é o organismo de cada pessoa.
Não. O preenchimento repõe volume num ponto, e o efeito aparece logo. O bioestimulador estimula a pele a produzir colágeno e trabalha a sustentação aos poucos. Muitas vezes se completam, cada um no seu papel, e essa combinação é definida caso a caso.
Pode, e nem todo nódulo é complicação. Uma irregularidade pequena e sem dor costuma ser o produto distribuído de forma desigual, e tende a se acomodar. Nódulo que cresce, dói, endurece ou aparece semanas depois precisa ser avaliado. O risco está ligado sobretudo à técnica e ao cuidado no pós-procedimento.
Nos consultórios de Varginha e de Campo Belo, em Minas Gerais, sempre depois de consulta de avaliação presencial. O agendamento é feito pelo WhatsApp da unidade escolhida.
Este conteúdo é informativo. A indicação e o protocolo de cada tratamento são definidos individualmente após avaliação dermatológica presencial.
Cunha M, Engracia M, Souza L, Machado C. Bioestimuladores e seus mecanismos de ação. Surgical and Cosmetic Dermatology, publicação da Sociedade Brasileira de Dermatologia, 2020, volume 12, número 2. Sociedade Brasileira de Dermatologia, SBDcast, Bioestimuladores de colágeno: o que há de evidências, com o Departamento de Cosmiatria. Melo F, Nicolau P e colaboradores, Recommendations for volume augmentation and rejuvenation of the face and hands with the new generation polycaprolactone-based collagen stimulator, Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology, 2017, volume 10. Sociedade Brasileira de Dermatologia, conteúdo institucional sobre preenchimento e bioestimulação cutânea.
Sua pele merece uma avaliação médica de verdade.
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Dra. Helena Ciacci · Dermatologia · Varginha e Campo Belo · CRM MG 93658
