Revisão de cicatriz: como é a avaliação e quando cada tratamento entra
Revisão de cicatriz nem sempre quer dizer uma nova cirurgia, e o cuidado pode começar nas primeiras semanas. Aqui está por que algumas cicatrizes de cirurgia ficam altas ou largas, quando vale avaliar, como é a avaliação, quando entram silicone, infiltração e laser, quando a revisão é cirúrgica e quando procurar avaliação.
Os pontos saíram, a cirurgia correu bem e, algumas semanas depois, a cicatriz começou a mudar. Ficou mais alta, vermelha e coçando. Ou alargou, escureceu e passou a repuxar quando o corpo se mexe. Às vezes o próprio cirurgião sugere acompanhar a cicatriz, e fica a dúvida: esperar um ano para ver como fica ou tratar agora.
Na conversa com o médico, esse acompanhamento costuma aparecer como revisão de cicatriz: o conjunto de cuidados e tratamentos para melhorar uma cicatriz que ficou diferente do esperado. Não é raro precisar dele. Uma diretriz europeia de 2014 estima que cerca de 100 milhões de pessoas ganham uma cicatriz por ano nos países desenvolvidos, e que perto de 15% delas ficam com uma cicatriz excessiva ou com aparência que incomoda.
O que é a revisão de cicatriz?
É a avaliação e o tratamento de uma cicatriz que ficou mais alta, larga, vermelha, escura, afundada ou repuxando do que o esperado. O nome assusta, porque lembra uma nova cirurgia. Mas o corte é só uma das opções, e costuma ficar para quando as outras não bastam, segundo a Academia Americana de Dermatologia.
Cada cicatriz tem um problema principal, e é ele que puxa o tratamento:
- Cicatriz hipertrófica: alta, firme e muitas vezes vermelha, mas dentro dos limites do corte. Costuma melhorar com o tempo.
- Queloide: cresce além dos limites do corte e não regride sozinho.
- Cicatriz alargada: ficou plana, mas abriu e ficou mais larga que o corte original.
- Cicatriz afundada: ficou abaixo do nível da pele, às vezes presa ao plano de baixo.
- Cicatriz com mudança de cor: mais escura ou mais clara que a pele ao redor.
Uma mesma cicatriz pode ter mais de um desses problemas ao mesmo tempo. Quando ela passa dos limites do corte, o caminho é o do queloide, que tem cuidados próprios.
Por que algumas cicatrizes de cirurgia ficam altas ou largas?
Porque a pele continua trabalhando por meses depois que o corte fecha. Para fechar a ferida, o corpo produz colágeno. Em algumas pessoas e em alguns lugares do corpo, essa produção passa do ponto, e a cicatriz engrossa.
Alguns fatores pesam mais:
- Cicatrização demorada. Quando a ferida leva mais de 10 a 14 dias para fechar, a chance de cicatriz hipertrófica aumenta muito, segundo uma revisão publicada em 2013.
- Infecção ou abertura dos pontos, que atrasam o fechamento.
- Tensão sobre o corte. Pele esticada e movimento repetido pioram a cicatriz alta, e o colo e os ombros estão entre as áreas de mais tensão, segundo o consenso japonês de cicatrizes.
- Gravidez e pressão alta, que o mesmo consenso cita entre as condições que pioram a cicatriz alta.
- Histórico de queloide ou de cicatriz alta em cirurgias anteriores.
Nada disso quer dizer que a cirurgia foi malfeita. A cicatriz depende também da pele de cada pessoa e do que acontece nas semanas seguintes.
Preciso esperar um ano para tratar a cicatriz?
Não para começar a cuidar dela. A cicatriz leva tempo para amadurecer: a maioria clareia por volta dos sete meses, e a cicatriz hipertrófica pode seguir amolecendo e baixando por pelo menos um ano, segundo a mesma revisão de 2013.
Esse prazo pesa na decisão de uma nova cirurgia, não no resto. A diretriz europeia orienta reavaliar a cicatriz entre 4 e 8 semanas depois da operação. Se ela começa a engrossar entre a sexta semana e o terceiro mês, a recomendação é reforçar os cuidados, e não esperar.
Nos primeiros meses, a cicatriz ainda está ativa. É nessa fase que silicone, compressão, infiltração e laser costumam entrar no plano.
Como é a avaliação da cicatriz?
Começa pela história da cicatriz e segue pelo exame da pele. Na conversa entram a cirurgia que a originou, a data, como foi a cicatrização, se os pontos abriram, inflamaram ou demoraram a fechar, o que já foi usado e se há queloide em outra parte do corpo. Vale levar o relatório ou a orientação do cirurgião, se houver.
No exame, a cicatriz é olhada por partes:
- A cor: vermelha, arroxeada, mais escura ou mais clara que a pele ao redor.
- O relevo: alta, plana ou afundada, e se a superfície é lisa ou irregular.
- A firmeza, e se a cicatriz está presa ao plano de baixo.
- A tensão: se repuxa parada ou quando o corpo se mexe.
- O que a pessoa sente: coceira, dor, ardência, dormência ou sensibilidade.
Esses são, em linhas gerais, os itens da POSAS, uma escala usada em pesquisa que soma o olhar do médico ao do paciente sobre a própria cicatriz.
Como se decide entre silicone, infiltração, laser ou cirurgia?
Pelo que predomina na cicatriz e pela fase em que ela está. Em linhas gerais, cada problema puxa um caminho:
- Cicatriz nova, ainda rosada: silicone, protetor solar e, em alguns casos, compressão.
- Vermelha, com coceira ou dor: silicone e laser que age nos vasos.
- Alta e firme: infiltração, silicone e, muitas vezes, laser, combinados.
- Afundada ou com textura irregular: laser fracionado, que trabalha relevo e textura.
- Escura: protetor solar todos os dias e, quando a mancha persiste, tratamento da mancha.
- Larga, desalinhada ou repuxando depois de amadurecer: revisão cirúrgica.
Muitas vezes os tratamentos se combinam, e a ordem entre eles muda conforme a cicatriz responde. Por isso o plano só se define depois do exame.
O que ajuda nos primeiros meses?
Silicone, protetor solar e, em alguns casos, compressão. A placa ou o gel de silicone entra assim que a ferida fecha, segundo a diretriz europeia, e é usado todos os dias, muitas vezes por meses. A placa parece funcionar melhor que a pomada, segundo a Academia Americana de Dermatologia.
A evidência é fraca. Uma revisão Cochrane de 2013, com 20 ensaios e 873 participantes, encontrou sinais de benefício na prevenção em pessoas com mais risco, mas com estudos de baixa qualidade. O silicone funciona como parte do plano, não sozinho.
Para os outros cuidados:
- Protetor solar de fator alto, acima de 50, até a cicatriz amadurecer, porque o sol escurece a cicatriz nova, segundo a diretriz europeia.
- Compressão com malha ou faixa, que ajuda a evitar que a cicatriz engrosse e pode ser usada por até um ano, com troca da peça a cada 6 a 8 semanas. Não é opção para o rosto.
- Hidratante e silicone, que também aliviam a coceira.
Como são a infiltração e o laser?
A infiltração age na espessura. O laser age principalmente na cor, na textura e na rigidez. Os dois podem entrar juntos.
Na infiltração, um corticoide é aplicado dentro da cicatriz com agulha fina. A diretriz europeia descreve sessões a cada 2 a 4 semanas, até a cicatriz baixar, e a maioria das pessoas precisa de mais de uma aplicação, segundo a Academia Americana de Dermatologia. Pele mais fina e mudança de cor no local são efeitos possíveis, e por isso a dose e o intervalo são ajustados a cada sessão.
O laser pode reduzir vermelhidão, coceira, dor e rigidez, segundo a mesma fonte. Os lasers que agem nos vasos cuidam da vermelhidão. Os fracionados, que tratam a pele em pequenas colunas e deixam pele intacta entre elas, trabalham textura, relevo e espessura. A escolha do laser depende também do tom da pele.
O momento conta. Uma revisão sistemática dinamarquesa de 2018 reuniu 25 estudos com laser feito nos primeiros três meses depois do corte ou da lesão. Na maior parte, o laser mostrou benefício, nem sempre com diferença estatística, e os autores pedem estudos melhores antes de transformar isso em protocolo.
Quando a revisão é cirúrgica?
Quando a cicatriz já amadureceu e o problema é de forma: larga, desalinhada, repuxando ou ainda alta depois de mais de um ano. A diretriz europeia sugere considerar a revisão cirúrgica quando a cicatriz hipertrófica continua assim por mais de um ano.
Na revisão, a cicatriz antiga é retirada e a pele é fechada de novo com o cuidado de reduzir a tensão sobre o corte. Em áreas muito esticadas, como o colo, o consenso japonês recomenda a zetaplastia, técnica que muda a direção da cicatriz.
Cicatrizes pequenas podem ser revisadas em consultório, com anestesia local. Depois de uma cirurgia plástica, a decisão de operar de novo é tomada junto com o cirurgião que fez a cirurgia.
A revisão não termina no corte. A Academia Americana de Dermatologia lembra que a cicatriz pode voltar, e por isso a infiltração costuma ser feita junto. A nova cicatriz recebe os mesmos cuidados dos primeiros meses.
Quando procurar avaliação?
Vale agendar uma consulta quando aparece uma destas situações:
- A cicatriz começou a engrossar, ficar alta ou mais vermelha nas semanas depois da cirurgia.
- Ela coça, dói ou arde, e isso não melhora.
- Ficou larga, afundada ou repuxa quando você se mexe.
- Passou dos limites do corte, como um queloide.
- Você vai fazer uma nova cirurgia e já teve queloide ou cicatriz alta.
- Uma cicatriz antiga ainda incomoda, mesmo depois de anos.
Pontos que abrem, secreção, calor, vermelhidão que se espalha ao redor do corte ou febre depois de uma cirurgia não são assunto de cicatriz. São sinais para procurar o cirurgião que operou ou um serviço de saúde no mesmo dia.
A avaliação da cicatriz é feita pela médica Dra. Helena Ciacci, CRM MG 93658, nos consultórios de Varginha e Campo Belo. O exame olha a cor, o relevo, a largura, a firmeza e a tensão da cicatriz, e a consulta considera a cirurgia que a originou, o tempo desde o corte e como foi a cicatrização.
A partir daí, o plano pode combinar silicone, infiltração, laser, microagulhamento e, quando indicado, revisão cirúrgica em consultório, com anestesia local. Quando a cicatriz vem de uma cirurgia plástica, o acompanhamento segue em conjunto com o cirurgião que operou. O que cada etapa faz, o número de sessões e o intervalo entre elas são explicados antes de começar.
Quem vem de Três Pontas, Elói Mendes, Boa Esperança e Carmo da Cachoeira é atendido no consultório de Varginha. Quem vem de Cristais, Aguanil e Santana do Jacaré, no de Campo Belo.
Dúvidas comuns.
Em parte, sim. A maioria das cicatrizes clareia por volta dos sete meses, e a cicatriz alta pode seguir baixando por pelo menos um ano. Quando ela engrossa, coça ou alarga nos primeiros meses, vale avaliar sem esperar esse prazo.
Os cuidados começam assim que a ferida fecha, com silicone e protetor solar. Infiltração e laser podem entrar nos primeiros meses, conforme a cicatriz evolui. A revisão cirúrgica, quando indicada, costuma esperar a cicatriz amadurecer, em geral mais de um ano.
Não apaga. O laser pode deixar a cicatriz menos vermelha, mais macia e com textura mais parecida com a da pele ao redor, mas ela continua existindo. O número de sessões depende da cicatriz e é definido na avaliação.
Pode. Pele mais fina e mudança de cor no local são efeitos possíveis, segundo a Academia Americana de Dermatologia. Por isso a dose e o intervalo entre as sessões são ajustados conforme a cicatriz responde.
Pode. A nova cicatriz passa pelas mesmas fases da primeira, e por isso silicone, protetor solar e, às vezes, infiltração acompanham os meses seguintes à revisão.
Não. A consulta pode ser marcada diretamente. Se houver relatório da cirurgia ou orientação do cirurgião, vale levar.
Este artigo tem caráter informativo e não substitui uma consulta de avaliação dermatológica. A indicação de cada tratamento é individual, e as decisões sobre a cirurgia que originou a cicatriz são do cirurgião que operou.
Fontes de referência: Monstrey S e colaboradores, Updated scar management practical guidelines: non-invasive and invasive measures, Journal of Plastic, Reconstructive and Aesthetic Surgery, 2014. Gauglitz GG, Management of keloids and hypertrophic scars: current and emerging options, Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology, 2013. Ogawa R e colaboradores, Diagnosis and treatment of keloids and hypertrophic scars: Japan Scar Workshop Consensus Document 2018, Burns and Trauma, 2019. O'Brien L, Jones DJ, Silicone gel sheeting for preventing and treating hypertrophic and keloid scars, Cochrane Database of Systematic Reviews, 2013. Karmisholt KE e colaboradores, Early laser intervention to reduce scar formation: a systematic review, Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology, 2018. American Academy of Dermatology, Scars: diagnosis and treatment, página de informação ao público. POSAS Group, Patient and Observer Scar Assessment Scale 3.0, instruções de uso.
Sua pele merece uma avaliação médica de verdade.
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Dra. Helena Ciacci · Dermatologia · Varginha e Campo Belo · CRM MG 93658
