Prevenção e Câncer de Pele · Artigo

Mapeamento corporal: o que é, quem precisa e como é o exame

Em pele com muitas pintas, a pergunta que mais importa não é só como cada pinta está, mas o que mudou e o que é novo. Aqui está o que o mapeamento corporal registra, como ele difere da dermatoscopia, quem tem indicação, por que ele começa com um pedido médico, como é o exame, de quanto em quanto tempo se repete e quando procurar avaliação.

Dra. Helena Ciacci · CRM MG 93658 · Dermatologia
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Sala de exame de consultório dermatológico com cadeira de procedimento off-white, manta azul-marinho, toalhas dobradas e luz natural de janela, tema do mapeamento corporal, Dra. Helena Ciacci, dermatologia em Varginha e Campo Belo

O pedido veio com um nome que pouca gente conhece: mapeamento corporal. Ou são tantas pintas nas costas que ninguém lembraria como cada uma estava no ano passado. Ou houve um caso de melanoma na família, e a dúvida passou a ser como acompanhar a própria pele.

O mapeamento corporal é o exame que guarda essa memória em imagens. Ele foi pensado para o melanoma, que o Instituto Nacional de Câncer, o INCA, considera o tipo mais agressivo de câncer de pele. A estimativa do INCA para 2026 a 2028 é de cerca de 9.360 casos novos por ano no Brasil, mais de 25 por dia. Em quem tem risco maior, comparar imagens ao longo do tempo ajuda a perceber cedo a pinta que mudou ou a que acabou de aparecer.

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O que é o mapeamento corporal?

É um exame que fotografa a pele do corpo inteiro e registra, com dermatoscopia digital, as pintas escolhidas para acompanhamento. As imagens ficam guardadas e servem de referência para os exames seguintes.

A força do exame está na comparação. As recomendações da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a SBD, pedem fotos padronizadas, com o mesmo enquadramento e o mesmo aumento, justamente para que uma imagem possa ser posta ao lado da outra meses depois.

As fotos do corpo inteiro têm um motivo próprio. Cerca de 7 em cada 10 melanomas nascem em pele sem pinta anterior, segundo uma meta-análise de 2017 citada pela SBD. Por isso o exame não olha só as pintas antigas: as fotos mostram também o que é novo.

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Mapeamento corporal é a mesma coisa que dermatoscopia?

Não. A dermatoscopia é o exame das pintas feito na própria consulta, com o dermatoscópio, um aparelho de lente com luz e aumento. Ele mostra estruturas de cor e de vaso que não aparecem a olho nu.

Nas recomendações da SBD, a dermatoscopia aparece como o recurso que aumenta a precisão do diagnóstico de melanoma em relação ao exame só com os olhos.

O mapeamento é um exame à parte. Usa a dermatoscopia digital, mas guarda as imagens do corpo e das pintas para comparar com as do exame seguinte. A dermatoscopia mostra como a pinta está hoje. O mapeamento mostra o que mudou.

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Quem precisa fazer o mapeamento corporal?

Quem tem risco maior de melanoma ou pintas que pedem acompanhamento com imagem. Não é exame de rotina para todo mundo, e a indicação é médica.

As recomendações da SBD, publicadas em 2021, citam entre as indicações:

  • Mais de 50 pintas comuns pelo corpo.
  • Mais de 5 pintas atípicas, as de formato ou cor irregular.
  • Melanoma anterior, ou melanoma em parentes.
  • Alterações genéticas ligadas ao melanoma familiar.
  • Imunidade baixa por remédio, como em quem recebeu transplante de órgão.
  • Exposição intensa ao sol em períodos da vida, como as queimaduras de férias.

Um consenso da Sociedade Internacional de Dermatoscopia, de 2022, considera suficiente para indicar o acompanhamento ter 60 pintas ou mais, ou uma alteração genética de alto risco. Os autores lembram que escolher bem quem faz o exame é essencial para ele cumprir o seu papel.

Quem conta as pintas e pesa esses fatores é o médico, no exame da pele.

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Preciso de pedido médico para fazer o mapeamento?

Sim. O mapeamento é um exame com indicação para casos específicos, e quem decide se ele faz sentido é o médico que examinou a sua pele.

Segundo as recomendações da SBD, é o exame clínico feito antes que define quais pintas entram no acompanhamento. Por isso o pedido vem antes do mapeamento, e não depois.

O exame também é ato médico. Um parecer do Conselho Regional de Medicina do Paraná, de 2018, concluiu que o mapeamento corporal com dermatoscopia digital não pode ser delegado a outro profissional e que o laudo das imagens só pode ser emitido por médico.

Quem ainda não tem o pedido começa pela consulta. É nela que a pele é examinada e que se decide se o mapeamento é o próximo passo.

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Como é feito o exame?

Em duas partes: as fotos do corpo e as imagens de dermatoscopia das pintas selecionadas. Pelas recomendações da SBD, o exame costuma ter de 20 a 40 fotos do corpo e incluir, em média, de 50 a 90 pintas.

As fotos do corpo são feitas em pé, de frente, de costas e de lado. A região genital só é fotografada quando há uma pinta ali para acompanhar.

As imagens das pintas costumam ser feitas com a pessoa deitada. O dermatoscópio digital encosta na pele com um gel, e cada pinta é registrada com aumento de cerca de 20 vezes. Não há agulha nem corte.

Pelas mesmas recomendações, o resultado sai em laudo, com a técnica usada, o que foi encontrado e a conclusão. Para o dia do exame, a SBD orienta prender o cabelo comprido e evitar acessórios. As demais orientações de preparo são passadas no agendamento.

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De quanto em quanto tempo o mapeamento é repetido?

Depende do que o exame anterior mostrou, e quem define o intervalo é o médico.

Pelas recomendações da SBD, quem tem indicação e não teve pinta suspeita costuma repetir o exame num intervalo de seis meses a um ano. Quando uma pinta específica levanta dúvida, ela pode ser reavaliada em cerca de três meses, só ela, sem repetir o corpo inteiro.

A comparação ganha valor com o tempo. Numa revisão de 14 estudos com quase 5.800 pacientes, publicada em 2013, a chance de encontrar um melanoma aumentava conforme o acompanhamento se estendia.

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E se uma pinta mudar entre um exame e outro?

Ela é reavaliada, e o tipo de mudança orienta a conduta. Algumas pedem só um novo controle em poucos meses. Quando a mudança pede investigação, a pinta é retirada e vai para o exame histopatológico, a análise do tecido ao microscópio, que é o que confirma o diagnóstico.

O acompanhamento por imagem tende a poupar cirurgias. Na revisão de 2013, 8,3% das pintas monitoradas foram retiradas, e a Sociedade Internacional de Dermatoscopia descreve o método como uma forma de reduzir retiradas desnecessárias e de perceber o melanoma mais cedo.

Num estudo australiano com 311 pessoas de risco muito alto, acompanhadas por cerca de três anos e meio com fotos do corpo e dermatoscopia digital, metade ou mais dos melanomas encontrados depois da primeira visita ainda estava na fase in situ, restrita à camada mais superficial da pele. Eram pacientes de um centro de referência, e o resultado não vale automaticamente para todos.

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Quando procurar avaliação?

Vale agendar uma consulta quando aparece uma destas situações:

  • Você tem muitas pintas pelo corpo e nunca passou por um exame completo da pele.
  • Alguém da sua família já teve melanoma.
  • Você já teve melanoma ou outro câncer de pele.
  • Apareceu uma pinta nova na vida adulta, ou uma pinta antiga parece diferente.
  • Você recebeu transplante de órgão ou usa remédio que baixa a imunidade.

Pinta que cresce rápido, sangra, coça ou vira uma ferida que não cicatriza não espera o próximo mapeamento. O exame ajuda pouco no melanoma de crescimento rápido, o nodular, segundo a SBD, e esses sinais pedem avaliação sem esperar.

Na consulta · Dra. Helena Ciacci

O mapeamento corporal é feito pela médica Dra. Helena Ciacci, CRM MG 93658, que atende em Varginha e Campo Belo. Com o pedido médico, o mapeamento é feito como exame, sem consulta, e o local e o horário são combinados no agendamento.

Sem o pedido, o caminho é começar pela consulta. Nela, a Dra. Helena examina a pele e as pintas com dermatoscopia e, se houver indicação, pede o mapeamento. Quando o exame é indicado, o que ele registra e o intervalo até o próximo são explicados antes.

Quem vem de Três Pontas, Elói Mendes, Boa Esperança e Carmo da Cachoeira é atendido no consultório de Varginha. Quem vem de Cristais, Aguanil e Santana do Jacaré, no de Campo Belo.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns.

Mapeamento corporal dói?

Não. São fotos do corpo e imagens feitas com o dermatoscópio apoiado na pele, com um gel, sem agulha e sem corte.

Precisa tirar a roupa no mapeamento corporal?

Sim, porque as fotos cobrem a pele do corpo inteiro, em pé, de frente, de costas e de lado. Pelas recomendações da SBD, a região genital só é fotografada quando há uma pinta ali para acompanhar.

Quantas fotos são feitas no mapeamento corporal?

Em média, de 20 a 40 fotos do corpo, segundo as recomendações da SBD, além das imagens de dermatoscopia das pintas selecionadas, que costumam ficar entre 50 e 90 por exame. O número exato depende de cada pele.

Grávida pode fazer mapeamento corporal?

Pode, quando há indicação. As recomendações da SBD dizem que não há contraindicação em nenhum período da gestação e que, quando indicado, o exame é feito de preferência no primeiro trimestre.

Mapeamento corporal detecta câncer de pele?

Ajuda a perceber cedo uma pinta que mudou ou que apareceu, mas não dá o diagnóstico sozinho. A confirmação de câncer de pele vem da análise da lesão retirada, o exame histopatológico.

O mapeamento corporal substitui a consulta?

Não. O mapeamento registra e compara imagens. A consulta é onde a pele é examinada, o histórico é avaliado e a conduta é decidida, inclusive se o mapeamento é indicado.

Este artigo tem caráter informativo e não substitui uma consulta de avaliação dermatológica. A indicação do mapeamento corporal e o intervalo entre os exames são definidos individualmente pelo médico.

Fontes de referência: Barcaui C e colaboradores, Total body mapping in the follow-up of melanocytic lesions: recommendations of the Brazilian Society of Dermatology, Anais Brasileiros de Dermatologia, 2021. Russo T e colaboradores, Indications for digital monitoring of patients with multiple nevi: recommendations from the International Dermoscopy Society, Dermatology Practical & Conceptual, 2022. Salerni G e colaboradores, Meta-analysis of digital dermoscopy follow-up of melanocytic skin lesions: a study on behalf of the International Dermoscopy Society, Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology, 2013. Moloney FJ e colaboradores, Detection of primary melanoma in individuals at extreme high risk: a prospective 5-year follow-up study, JAMA Dermatology, 2014. Pampena R e colaboradores, A meta-analysis of nevus-associated melanoma: prevalence and practical implications, Journal of the American Academy of Dermatology, 2017. Conselho Regional de Medicina do Paraná, Parecer nº 2700/2018, mapeamento corporal total e dermatoscopia digital como ato médico, 2018. Martins LFL e colaboradores, Perfil epidemiológico da incidência de câncer no Brasil e regiões: estimativas para o triênio 2026 a 2028, Revista Brasileira de Cancerologia, 2026. Instituto Nacional de Câncer, Câncer de pele melanoma, página de informação ao público.

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Dra. Helena Ciacci · Dermatologia · Varginha e Campo Belo · CRM MG 93658